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CINDERELA


Gênero: Fantasia
Direção: Kenneth Branagh
Roteiro: Aline Brosh McKenna, Chris Weitz
Elenco: Lily James, Richard Madden, Cate Blanchett, Helena Bonham Carter, Nonso Anozie, Stellan Skarsgard, Sophie McShera, Holliday Grainger, Derek Jacobi, Hayley Atwell, Ben Chaplin
Produção: Allison Shearmur, David Barron, Simon Kinberg
Fotografia: Haris Zambarloukos
Montador: Martin Walsh
Trilha Sonora: Patrick Doyle
Duração: 112 min.
Ano: 2015
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Estreia: 26/03/2015 (Brasil)
Distribuidora: Walt Disney Pictures
Estúdio: Walt Disney Studios Motion Pictures USA
Classificação: Livre

Sinopse: Após a morte de seu pai, jovem é feita de empregada por sua madrasta e irmãs de criação. Até que um baile na corte pode mudar seu destino.



 Nota do razão de aspecto



Um dos filões cinematográficos explorados pelos estúdios é a refilmagem de grandes clássicos – sejam eles com inovações na abordagem ou não. Nem os contos de fada ou os clássicos da infância de várias gerações escapam dessa tendência. Assim, os últimos anos foram pródigos em releituras, incluindo novos elementos às versões mais consagradas e/ou tentando modernizar os roteiros, para incluir cenas mais excitantes para o público.

Dessa leva temos "A garota da capa vermelha" (2011, adaptação de Chapeuzinho Vermelho); "Espelho, espelho meu" e "Branca de Neve e o caçador (ambos de 2012); João e Maria: caçadores de bruxas e Jack, o caçador de gigantes (ambos de 2013, sendo este último uma adaptação de João e o pé de feijão); e Malévola (2014), só para citar os que me vêm à memória.

Este Cinderela, dirigido por Kenneth Brannagh (o genial diretor de "Para o resto de nossas vidas" e "Frankenstein de Mary Shelley", e o apenas correto diretor de "Thor" e "Jack Ryan"), é mais uma adaptação do conto "Cendrillon", escrito por Charles Perrault, em 1697, e que inspiraria o conto "Aschenputtel", dos Irmãos Grimm, no século XIX, além do clássico desenho da Disney, de 1950.

O filme é deslumbrante visualmente. A fotografia de Haris Zambarloukos (com quem Brannagh costumeiramente trabalha) é lindíssima, os cenários e figurinos são caprichados, bem cuidados e luxuosos, e os efeitos especiais – sobretudo os que envolvem os ratinhos e outros amigos animais da protagonista – convencem. O problema é que apenas sua beleza não consegue transformar Cinderela em um filme especial (pun intended).

Se, por um lado, é interessante assistir a uma adaptação cinematográfica de um conto de fadas que não se sinta obrigada a incluir zumbis, lobisomens ou outros monstros, o problema do filme surge justamente pelo excesso de fidelidade ao que já foi apresentado antes, e o que se espera. Está tudo lá, exatamente como deve estar: a voz em off conduzindo a história, a protagonista sofrida mas transbordando glicose, a madrasta e as irmãs beirando a caricatura, a fada madrinha doidinha, o príncipe encantador, e a trilha sonora orquestrada e hiperpresente, dominando cenas em que poderia ser mais discreta.

Resta o quê ao espectador?  Resta se divertir com as boas atuações - esperadas pela qualidade do elenco e pela formação shakespereana do diretor-, e identificar vários atores de séries de TV favoritas do grande público no elenco. Assim temos Lily James (a Lady Rose de Downton Abbey) como Cinderella; Richard Madden (o Robb Stark de Game of Thrones) como o Príncipe; Sophie McShera (a Daisy, também de Downton Abbey) como uma das irmãs de criação da protagonista; e Nonso Anozie (de Game of Thrones e Drácula) como capitão da guarda real. Além deles, velhos parceiros de Brannagh, como Derek Jacobi, Stellan Skarsgård (quantos filmes esta pessoa faz por ano???) e Helena Bonham Carter, como a fada madrinha algo confusa. Destaque para Ben Chaplin e Hayley Atwell, interpretam os pais de Cinderela, e conseguem convencer como pessoas que passaram fortes valores positivos para a filha.

Seguindo outra tendência, temos uma grande dama do cinema no papel de vilã/antagonista, que acaba por roubar a cena da jovem heroína toda vez que aparece na tela. Foi assim com Julia Roberts e Charlize Theron, nas adaptações de Branca de Neve, em 2012, e com Angelina Jolie, na adaptação de A Bela Adormecida. Desta vez, a ladra do filme atende pelo nome de Cate Blanchett, que interpreta uma madrasta falsa em sua suavidade, amarga em suas perdas, e exagerada nos movimentos, como em um desenho animado, quando tem de o ser.

Fica a dúvida sobre que público será atraído pelo filme. As crianças mais novas talvez não achem tanta graça assim nas cenas envolvendo os animaizinhos se transformando em cavalos, valetes e cocheiro; as mocinhas mais velhas de hoje em dia talvez já não se encantem tanto com a protagonista perfeita. Aqueles que já conhecem a história não encontrarão grandes novidades. Talvez restem os nostálgicos das linguagens tradicionais, ou de um tempo em que era mais fácil se encantar. O lema de Cinderela é "gentileza e coragem". No filme, sobra a primeira, mas, infelizmente, falta a segunda.

PS: o bingo do baile é identificar que outras princesas da Disney são referenciadas na cena... 

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