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Mostrando postagens com o rótulo Cinema em um parágrafo

MONSTER TRUCKS (2016) - CINEMA EM UM PARÁGRAFO

Se Monster Trucks fosse lançado há 30 anos teria potencial de clássico da Sessão da Tarde. Para o bem ou para o mal é isso que vemos em tela. Temos uma aventura/fantasia onde um adolescente junto com um bicho salva o dia (não é spoiler, mas o caminho mais que óbvio nesse tipo de narrativa...). Para isso, ele conta com a ajuda da "namorada" bonita, do amigo nerd e tem que lutar contra uma grande corporação além de ter como mini antagonista um playboy da escola. A trilha heroica contribui para o ambiente, a montagem acelerada para o ritmo e o subtexto ambiental tenta passar uma mensagem. Já a criatura, feia e carismática, tenta voltar para casa (ET?). O uso dela em comunhão com o carro flerta com um quê de Transformers. Monster Trucks tem uma pegada infanto-juvenil, mas não gosto de subestimar esse público, por isso as conveniências e furos do roteiro pesam. Ainda assim é uma boa opção para aqueles que querem se entreter, ter um pouco de nostalgia e explicar para os filho...

NETFLIXING: CÓDIGO DE SILÊNCIO (BURNING SANDS, 2017) - CINEMA EM UM PARÁGRAFO

Código de Silêncio estreou no Festival de Sundance 2017 , na mostra competitiva de dramas estadunidenses. Na cobertura do Conexão Sundance , comentei o filme no vídeo do Dia 10 . O filme   trata do ingresso jovens calouros na universidade e sua jornada para ingressar em uma fraternidade. Nada muito original, a não ser pelo fato de que, neste filme, se trata de uma universidade negra.  Código de Silêncio  inclusive repete o tema - mas não a abordagem - de  O Trote (Goat),  que também concorreu no  Festival de Sundance 2016 .  Código de Silêncio,  entretanto, enfatiza os reflexo do racismo no comportamento da própria comunidade negra, além do machismo e do assédio sexual às universitárias - outro tema candente na sociedade estadunidense atual. O ponto forte do filme são as atuações, que são muito intensas e difíceis, considerando o grau de violência envolvido. O diretor e co-roteirista Gerard McMurray optou por uma jornada convencional: um g...

NEGAÇÃO - CINEMA EM UM PARÁGRAFO

Negação  é um drama de tribunal, que dramatiza a  luta legal da escritora Deborah E. Lipstadt (Rachel Weisz) contra David Irving (Timothy Spall), escritor que pregava a inexistência do Holocausto, nos anos 1990. Apesar do tema instigante,   Negação parece um filme para a televisão em termos de valor de produção. As interpretações são o ponto alto do filme:  Rachel Weisz faz um trabalho competente, como sempre,  Timothy Spall assumiu a personalidade David Irving com uma verosimilhança incrível, considerando os maneirismos mais caricaturais do personagem original, e Tom Wilkinson faz uma boa participação. Na tentativa de conferir tom documental a um filme de ficção, Negação restringe-se ao roteiro convencional e à direção minimalista, porém segura. Teria potencial para se tornar marcante, mas é inferior a outros filmes recentes sobre o mesmo tema, como Labirinto de Mentiras .  Nota 3,5/5. Leia a ficha técnica  aqui . Quer mais Cinema em ...

A CIDADE ONDE ENVELHEÇO - Cinema em um Parágrafo

O grande Vencedor do Festival de Brasília 2016 chega aos cinemas. --- A Cidade Onde Envelheço  fala um pouco sobre duas pessoas de mesmo idioma, mas que nem sempre conseguem estabelecer uma comunicação ideal. As  atrizes portuguesas Elizabete Francisca e Francisca Manuel conseguem dar totais veracidade e naturalidade às relações de suas personagens: à amizade, ao distanciamento, às distâncias (físicas e psicológicas) e às proximidades.  A cidade onde envelheço  traz protagonistas simpáticas, com leveza na abordagem dos temas. O ponto forte do filme são os excelentes diálogos afiados e reflexivos -  a la  Gilmore Gilrs  ou um Nelson Rodrigues sub 14 -, que conferem naturalidade impressionante às cenas, tornando conversas sobre os azulejos de um banheiro  algo interessante e, ao mesmo tempo, importante para a construção dos personagens.  Um filme fácil, agradável, despretensioso e simples, sem grandes mensagen...

PARAÍSO (RAY, 2016) - CINEMA EM UM PARÁGRAFO

Paraíso  foi o concorrente Russo ao Oscar, mas ficou fora da lista final.  Temos aqui mais um filme sobre holocausto. Porém "mais um" não é uma boa expressão neste caso. Há uma tentativa de produzir algo diferente e sentimos a todo instante a mão do diretor Andrey Konchalovskiy, premiado no Festival de Veneza por este trabalho. A fotografia em preto e branco e a razão de aspecto mais quadrada são os aspectos mais evidentes. Além deles, a movimentação da câmera - quase sempre parada - e os enquadramentos, por vezes intencionalmente errados, também dão o tom em Paraíso . Título que soa irônico nas primeira cenas e multissignificativo ao longo da obra. A estrutura de depoimentos, um quase documentário fake, serve como base para para a história e o locus daqueles discursos é no mínimo exótico. Acompanhamos três personagens de forma humana e complexa. Todos têm camadas que rejeitam soluções fáceis. Apesar da bela construção, as duas horas pesam e algumas cenas so...

Jackie (2016) - Cinema em um parágrafo

Jackie foi indicado em 3 categorias do Oscar Temos a história de como Jacqueline Kennedy reagiu ao assassinato do marido em 1963, o então presidente JFK. Ao optar por desenrolar a trama em diferentes períodos, o longa perde força rítmica e pouco acrescenta com tal opção. Vemos um belo e triste cenário humano, porém que cai para o melodrama fácil. A trilha sonora, no entanto, não é piegas como a narrativa e merece a lembrança da academia. O mesmo não dá para dizer sobre a direção, a câmera fica muito próxima do rosto de Natalie Portman como que para nos evidenciar até a última lágrima da atriz. A atuação dela é monotônica, mas forte - outras mulheres, contudo, mereceriam mais a vaga ao Oscar. As participações fora da protagonista são episódicas e rasas. Algumas cenas têm impacto positivo, como as que envolvem os filhos, já outras cansam o público - como no arco com o entrevistador, onde vemos infinitos planos e contraplanos, dando um ar muito marcado. Jackie não é um des...

Extremis (2016) - Cinema em um parágrafo

  Extremis é a primeira chance da Netflix levar um Oscar. O documentário curta-metragem produzido pelo serviço de streaming retrata a dura realidade de médicos, pacientes e familiares ao decidirem se manterão ou não pessoas em estado terminal ligadas a máquinas de respiração artificial. A escolha aqui é entre prolongar artificialmente uma vida sem prognósticos de melhora, mas a custa de sofrimento. O curta acompanha brevemente esta dura decisão em três pacientes, um deles sem familiares conhecidos. Dan Krauss optou por uma linguagem simples, direta e expositiva, dando voz a médicos familiares e retratando quão difícil é confiar na capacidade de julgamento dos pacientes terminais. Espaço igual é dado a medicina e a fé, razão e emoção, e se fala em espera de um milagre sem tom pejorativo ou de pregação religiosa. Graças a esta escolha o filme consegue ser emocional sem cair na pieguice ou em uma liguaguem de denuncia ou discurso político. Um curta importante para se assistir em...

O APARTAMENTO (Forushande, 2016) - CINEMA EM UM PARÁGRAFO

O Apartamento está indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro. Uma mistura de Elle , do Paul Verhoeven, e Os Suspeitos, de Denis Villeneuve. Pela potência dessas referências já é possível perceber o nível de tensão presente em O Apartamento . No longa, há dois apartamentos que são palcos de eventos capitais. E palco também é palavra chave aqui, pois como plano de fundo/analogia para algo maior é encenado pelo casal de protagonistas a peça A Morte do Caixeiro Viajante. O diretor iraniano Asghar Farhadi conseguiu com O Apartamento trazer a partir de um cenário e costumes locais um drama familiar universal. Já disse aqui no Razão de Aspecto que vários filmes excelente foram deixados de lado na categoria de melhor filme estrangeiro, Neruda , Julieta e o próprio Elle , mas não por culpa de O Apartamento , um candidato justo de estar entre os indicados. Ele teve as chances de vencer aumentadas dada a decisão do Presidente Trump de impedir iranianos de entrar no país. ...

NETFLIXING: I SPIT ON YOUR GRAVE 2 (2013)

As mulheres se vingam, mas o filme não vinga. A franquia I spit on your grave (que no Brasil ganhou o duvidoso título de Doce Vingança ) é baseada em filme homônimo de 1978 (no Brasil, A vingança de Jennifer ) ficou famosa por abusar da violência e nudez em filmes que sobre mulheres vítimas de abusos e estupro que se vingam com altos graus de crueldade de seus agressores. O segundo exemplar da série (dos três lançados até o momento), I spit on your grave 2 , é um dos lançamentos recentes no Netflix, e pode ser assistido de forma independente, por se tratar de história sem relação com o primeiro filme, mantendo apenas o diálogo temático. Na trama, Kate Carter (Jemma Dallender) interpreta uma jovem que aspira a carreira de modelo. Sem dinheiro para pagar um book elegante e de qualidade, ela procura um grupo de fotógrafos que faz ensaios gratuitos. Ao se recusar a posar nua para Ivan (Joe Absolom), ela passa a ser perseguida pelo irmão do fotógrafo, Georgy (Yavor Baharov), ...

O ÍDOLO (YA TAYR EL TAYER, 2016) - CINEMA EM UM PARÁGRAFO

O Ídolo  não sabe como apresentar a própria trama e desperdiça uma boa história. Fui ver O Ídolo sem saber do que se tratava e tive graves problemas com a passagem de tempo da metade da obra. Pois eu não sabia que a história teria como objetivo narrar o sonho de Mohammad Assaf em cantar no Arab Idol - a versão do "Ídolos" de lá. O Ídolo perde boa parte tempo na infância do cantor. A ironia fica por conta de que temos ali o melhor arco do longa: a formação da banda com os amigos, as desventuras e o drama com a irmã. Se a história se desenvolvesse com aquele foco e aproveitasse melhor os muitos personagens que possui, deixando a catarse realmente para o final, o resultado seria bem mais positivo. Todos os clichês do subgênero "edificante" estão ali. A trama pode despertar o interesse, mas com certeza foi muito prejudicada pela direção descompensada. As questões políticas e conflitos de Gaza são expostos com um verniz abrandado, deixando o tom muito positivo - op...

Netflixing: Clinical (2017) - Cinema em um Parágrafo

A Netflix não começou bem o ano nas produções originais. Um amontoado de clichês e opções ruins da direção marcam Clinical . O suspense/terror traz uma psiquiatra que tem que seguir a carreira, após ter tido uma experiência traumática com uma das pacientes. A premissa não é original, mas poderia render um filme interessante. O diretor Alistair Legrand falha em vários aspectos: abusa do recurso de subir o som de forma brusca para impressionar e/ou criar um clima - o tiro, claro, sai pela culatra.  A montagem picota algumas cenas na tentativa de dar intensidade aos fatos, outra vez o resultado é o oposto.  E coisas como câmera na mão e colocar a tela toda preta também compõe os recursos limitados de Legrand.  O terceiro arco consegue superar os fracos momentos anteriores do filme e entregar uma resolução quase tão patética, quanto óbvia. Até mesmo o sangue, comum nesse tipo de gênero, é mal utilizado - soando gratuito. Nota: 1,5/5 Ficha técnica de Clinical Quer mais fil...

SANGUE DO MEU SANGUE (Sangue del mio Sangue, 2015) - Cinema em um parágrafo

Sangue do meu Sangue , do italiano Marco Belochio, tem uma premissa interessante, porém mal executada. Há duas narrativas entrecruzadas: a primeira se passa na Idade Média, quando padres tentam arrancar a confissão de uma freira pecadora sobre seu pacto do o Demônio, em um Mosteiro no interior da Itália; e a segunda se passa no tempo presente, quando surge um potencial comprador para o velho Mosteiro, agora conhecido com antiga prisão, habitada por um Conde que desapareceu há oito anos e sai somente à noite, embora toda a população da cidade negue sua existência. Se a narrativa da Idade Média é sombria, tensa e dramática, a narrativa contemporânea assume um tom cômico completamente inadequado e deslocado. Claro, as duas histórias se conectam no final (não revelarei como), mas de forma muito artificial, tênue e forçada. Roteiro, montagem e direção erraram muito nas escolhas que fizeram. Felizmente, o nem tudo são problemas: a trilha sonora e a fotografia são belíssimas: a fotogra...

John From (2016) - Cinema em um Parágrafo

O culto à carga e o mito de John From fazem parte da cultura de Vanatu, uma pequena ilha na Oceania. O diretor português João Nicolau integrou de forma metafórica, e às vezes explícita, aquele arcabouço à rotina de uma jovem. Boa parte da obra vemos, repetidamente, o dia a dia de Rita nas situações mais cotidianas: desde a relação com a amiga, passando pelos banhos de sol até a paixão pelo vizinho. E coisa se torna tão desinteressante quanto a vida de um adolescente comum pode ser. A atriz Júlia Palha até tem algum carisma e definitivamente não é culpada pelo resultado. Quando a parte fantástica aparece a coisa piora. Os elementos são tortos e os efeitos pobres, vide o papel voando e uma famigerada névoa. As analogias e os momentos onde a leveza funcionam acabam se perdendo.  Nota 2/5 Ficha técnica de John From Quer mais filmes Europeus? Veja nosso texto sobre:  Sierranevada Eu, Daniel Blake The Siege of Jadotville

7 Minutos Depois da Meia Noite (A Monster Calls, 2016) - Cinema em um Parágrafo

7 Minutos Depois Meia Noite é um drama de fantasia sensível e delicado sobre perda, luto, amadurecimento, culpa e relações familiares. O elenco principal revela o jovem Lewis McDougall, que interpreta o jovem Connor em sua jornada de autoconhecimento e aceitação da perda iminente da mãe com uma intensidade incomum para interpretações infantis, além  dee carisma equivalente ao de Quvenzhané Wallis,  a estrela de Indomável Sonhadora . Felicity Jones, Sigourney Weaver e Toby Kebbel completam a família quebrada pela distância e pela doença, com interpretações ao mesmo tempo contidas e expressivas. Liam Neeson, por sua vez, faz a voz do Monstro com a ferocidade e a sensibilidade necessárias para conduzir Connor à expressão da sua verdade. Cabe grande destaque aos efeitos visuais nas aparições do Monstro e ao uso de diferentes linguagens narrativas, incluindo lindas animações em Aquarela para as fábulas contadas dentro da fábula maior, que é o filme em si. Com um toque de O Labi...

Assim que abro meus olhos (2015) - Cinema em um Parágrafo

Muitos de nós têm opiniões formadas sobre os países de cultura muçulmana e sobre o que levou ao que conhecemos como Primavera Árabe. É muita pretensão da nossa parte pensar que entendemos alguma coisa de culturas tão diferentes e tão distantes, mas sempre é possível aprendermos. O drama tunisiano Assim Que Abro Meus Olhos nos ensina muito mais sobre a sociedade que deu início àquela revolução do que qualquer artigo de imprensa, documentário e livro de história. A jornada da jovem Farah e de sua banda em uma sociedade conservadora e machista, em uma ditadura, nos ensina muito sobre o conflito cultural e geracional que gerou tensão social. Se o filme começa como um Sing Street árabe, a realidade daquele país leva a rumos mais sombrios. Uma fábula pré-revolução, que merece mais público do que terá. Nota. 4,5/5 . Leia a fica técnica  aqui. Quer mais filmes de temas políticos? Veja os nossos textos: Aquarius (2016) Era dos Gigantes (2016) Eu, Daniel Blake (2016)

Estados Unidos Pelo Amor (2016) - Cinema em um Parágrafo

Estados Unidos pelo Amor é um filme frio. Frio na fotografia. Frio na direção. Frio na abordagem dos temas. Ao mesmo tempo, é denso e intenso, ao tratar dos sentimentos profundos daquelas personagens com uma linguagem de documentário observacional. Adultério, homossexualidade, repressão sexual, pornografia e violência contra a mulher são os temas discutidos neste drama polonês de forma crua e não maniqueísta. Ambientado no período de queda da cortina de ferro, Estados Unidos pelo Amor retrata como a repressão social se refletia na vida privada das mulheres, em todos os seus desejos contraditórios. Nota. 4/5 . Quer mais filmes com essa coragem temática? Veja as nossas críticas de: Elle (vencedor do Globo de Ouro) Viva  O Silêncio do Céu

NETFLIXING: O HOMEM QUE VIU O INFINITO (2016) - CINEMA EM UM PARÁGRAFO

Um filme bastante humano sobre um homem das exatas. Não deixe a sinopse de O homem que viu o infinito desencorajar você:  embora se trate da cinebiografia de um matemático, o filme é centrado  no humano. O indiano Srinvasa Ramanujan causou tremendo impacto em sua  curta vida, na década de 1910, revolucionando áreas como a matemática analítica, a  teoria dos números e as séries infinitas. Mas o espectador não precisa  entender sobre isso: o filme se concentra na relação entre Ramanujan  (Dev Patel, de Quem quer ser um milionário? ) e seu tutor na  Universidade de Cambridge, G.H.Hardy (Jeremy Irons, de... um monte de  coisas! ). Em seu segundo longa, o diretor Matt Brown explora o misto de  fascinação e impaciência de Ramanujan ao ser apresentado ao formal  ambiente acadêmico inglês. A fotografia de Larry Smith (de De olhos  bem fechados ) mostra bem o contraste entre a ensolarada e colorida  Índia e o  a...

Netflixing: O Começo da Vida (2016) - Cinema em um Parágrafo

O Começo da Vida é essencial para quem tem filho ou quer ter. O Começo da Vida esteve em cartaz em meados do ano passado e já está na Netflix . Este documentário trata da importância de estimular o desenvolvimento cognitivo desde o nascimento da criança. As informações podem não ser exatamente inéditas, mas o tratamento das questões foi feito com seriedade e montado de uma forma que é possível gerar reflexão, lágrimas e até se tornar a recomendação básica para os futuros pais. Destaca-se o equilíbrio na valorização do papel do pai e da mãe - em depoimentos que se complementam ao se contradizerem. Outra boa equalização feita pela diretora  Estela Renner foi na alternância entre profissionais e pessoas "comuns", em ambos os casos de vários países. Ao dar voz para os dois grupos permitiu a mescla ideal entre empatia e conhecimento. O material colhido através dos depoimentos é realmente muito rico e diverso. Os temas escolhidos foram pontuados com a calma devida, ma...

Sieranevada (2016) - Cinema em um Parágrafo

Este Cinema em um Parágrafo foi um desafio. Colocar um longa de quase 3 horas em poucas linhas não é fácil. Sieranevada é simples, mas com certeza não será atrativo para boa parte do público - exatamente por conta dessa simplicidade (e claro, devido às 3 horas). Acompanhamos quase em tempo real uma tarde na vida de uma família. A câmera se coloca como observadora curiosa da movimentação dos integrantes daquele, também curioso, grupo de pessoas. Os planos-sequências permitem uma percepção rítmica daquela dinâmica.  Somos convidados a ser intrusos. E o  público se torna íntimo das tradições e manias postas em tela. Há momentos intencionalmente desinteressantes. Por outro lado, alívios cômicos quase sempre constantes (indo além de só alívios, portanto). Rimas visuais como as ruas estreitas e o aperto da casa ou a volta do carro na cena inicial e o "balé" da família. Diálogos e ações cotidianas. Pessoas exoticamente (a)normais. Um filme sobre o "nada", tal qual Sei...

NETFLIXING: MARIAS: A FÉ NO FEMININO (2016) - CINEMA EM UM PARÁGRAFO

Marias: a fé no feminino esteve nos cinemas em novembro, mas já chegou na Netflix. O documentário brasileiro retrata a relação de vários países da América Latina com o símbolo católico da Virgem Maria. As entrevistas são fornecidas por pessoas chamadas Maria (inclusive homens cujo nome é José Maria). Apesar claro do longa trazer muitas referências religiosas ele não se detém a elas. A abordagem é principalmente cultural. Quando Marias: a fé no feminino cai no discurso de ex-ateu que se converteu perde-se força. Quando o foco está em como cada sociedade representa a mitologia a coisa funciona melhor. Destaque para o trecho onde se traça um paralelo com as mães solteiras e a adoração à Maria. Um depoimento de uma fiel da Nicarágua chama atenção: ela, muito fervorosa, questiona todos os dogmas envolvendo a Maria, desde o manto azul até a virgindade. As cenas de transição pouco acrescentam na contextualização tiram espaço dos bons depoimentos colhidos. Parece que a diretora Joana M...