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CREED: NASCIDO PARA LUTAR




Gênero: Drama
Direção: Ryan Coogler
Roteiro: Aaron Covington, Ryan Coogler
Elenco: Andre Ward, Brian Anthony Wilson, Buddy Osborn, Gabe Rosado, Graham McTavish, Hans Marrero, Jacob 'Stitch' Duran, Joey Eye, Malik Bazille, Maria Breyman, Mark Falvo, Mark Rhino Smith, Michael B. Jordan, Phylicia Rashad, Ricardo McGill, Ritchie Coster, Rupal Pujara, Stephanie Damiano, Sylvester Stallone, Tessa Thompson, Tony Bellew, Tony Devon, Will Blagrove, Wood Harris
Produção: David Winkler, Irwin Winkler, Kevin King Templeton, Robert Chartoff, Sylvester Stallone, William Chartoff
Fotografia: Maryse Alberti
Montador: Claudia Castello, Michael P. Shawver
Trilha Sonora: Ludwig Goransson
Duração: 133 min.
Ano: 2015
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Estreia: 14/01/2016 (Brasil)
Distribuidora: Warner Bros.
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM) / Warner Bros. Pictures
Classificação: 12 anos

Sinopse: Adonis Johnson (Michael B. Jordan) nunca conheceu o pai, Apollo Creed, que faleceu antes de seu nascimento. Ainda assim, o jovem decide entrar no mundo das competições profissionais de Boxe. Após muito insistir, jovem consegue convencer Rocky Balboa (Sylvester Stallone) a ser seu treinador.



Nota do Razão de Aspecto:


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Sylvester Stallone merece o Oscar. Ponto, novo parágrafo.

Não é incidental que Stallone volte a ser indicado e a ganhar premiações - já levou pra casa o Globo de Ouro - cerca de quarenta anos depois da primeira e única vez em que isso havia ocorrido, quando da indicação de Rocky: Um Lutador. Em uma atuação sensacional - sim, não há outro adjetivo que melhor descreva o trabalho de Stallone neste filme -, o ator nos mostra um Rocky Balboa envelhecido, frágil, um personagem com muitas camadas, que demonstra o peso da experiência e das cicatrizes que a vida lhe causou tanto metafórica quanto literalmente. Por vezes, é difícil definir o limite entre o que á atuação e o que é apenas uma expressão dos sentimentos de Stallone. Ator e personagem confundem-se, assim como os fãs da franquia de Rocky Balboa os confundiram ao longo de mais de três décadas.






O desafio de Creed era, digamos, do tamanho de Ivan Drago. Rocky Balboa é, para mim, e acredito que para muitos leitores desta crítica, o maior herói da história do cinema americano, aquele que nos provoca maior empatia. Rocky hesita, apaixona-se, luta, vence. Rocky tem medo, desestimula-se, é derrotado. Rocky dá a volta por cima, recupera sua autoimagem, ganha de novo, mas vai à falência. No meio de tudo isso, Rocky é apenas um homem comum enfrentando a vida como ela é aproveitando, nem sempre tão bem, as oportunidades que ela lhe dá. Depois de seis filmes da franquia, cujo encerramento se deu com Rocky Balboa, ótimo filme de 2006, arriscar-se a produzir um spin-off era algo temerário, inesperado e desnecessário, o que apenas aumenta o tamanho do êxito da empreitada de Ryan Coogler na direção.

Creed é mais do que um spin-off, é, na verdade, um reboot na franquia de Rocky Balboa e, talvez, o melhor filme da série, em um empate duríssimo com o Rocky: Um lutador. Se, por um lado, o filme não é um primor de originalidade temática e de estrutura narrativa - e não precisa ser original, afinal, não estamos avaliando as escolas de samba do carnaval carioca, mas precisa ser bom -, realiza uma atualização da linguagem da franquia tanto em termos visuais quanto em termos de trilha sonora. Esta é uma das vantagens de Creed ser o único dos sete filmes escrito e dirigido por outra que pessoa que não Sylvester Stallone. Foram o talento e as influências de Ryan Coogler que trouxeram "ar fresco" para a franquia e tornaram Creed um êxito de público e crítica.

Ryan Coogler estreiou nos longas metragens com o ótimo Fruitvale Station, filme premiado em diversos festivais de cinema, com destaque para o prêmio do público de melhor drama e o prêmio do juri de melhor diretor no Festival de Sundance 2013 - apenas o maior e melhor festival de cinema independente do mundo. Sua origens off hollywood possibilitaram arriscar na fotografia do filme com uso de câmera na mão e com planos longos, incluindo um plano sequência para uma das lutas mais importantes do filme. Sim, é isso mesmo: uma das lutas foi filmada em apenas um take, do vestiário até o desfecho da luta.





A trilha sonora é completamente diferente da original, o que dá a Creed uma roupagem diversa. Se estamos novamente nas ruas da Philadelfia, não estamos no subúrbio italiano, mas, sim, no negro. Por isso, predomina na trilha o hip hop contemporâneo (leia mais sobre a trilha aqui). Este foi um recurso muito eficiente não somente para entendermos quando e onde a história é contada, mas também, e principalmente, para delimitar a fronteira entre aquele universo protagonizado por Rocky Balboa e o atual, protagonizado por Adonis Johnson, o filho bastardo de Apollo Creed. Para deixar ainda mais enfática a diferença, o filme faz apenas duas referências à trilha sonora original em momentos chave da narrativa, os quais são capazes de levar qualquer espectador às lágrimas e que certamente fazem chorar os fãs de Rocky.

Para muito além de um filme de boxe, Creed é um drama sobre a jornada de autodescoberta de Adonis, em busca de compreender quem foi o pai que ele nunca conheceu e de descobrir a si mesmo, de construir o próprio legado sem o peso do nome daquele que, na mitologia da franquia, se tornou o maior boxeador de todos os tempos, Apollo Creed. A primeira cena do filme é simbólica para entendermos essa lógica. 

Na sua jornada, Adonis busca a ajuda de Rocky, o melhor amigo de seu falecido pai, com quem acaba por construir uma relação paternal e cria uma simbiose de compreensão e apoio mútuos. A chave do êxito de Creed está na química entre Michael B. Jordan (que também protagonizou Fruitvale Station) e Sylvester Stallone, química que também se repete entre Michael B. Jordan e Tessa Thompson, que interpreta Bianca, a namorada de Adonis Johnson.

Em Creed, sentimos os ecos de Rocky Balboa, mas como o passado, como uma memória, por vezes heroica, por vezes trágica, resultado do Rocky fragilizado e envelhecido que conhecemos em 2015, experiente e conselheiro, duro e carinhoso, um mentor e um amigo, com o mesmo bom coração do personagem de 1976. Sabemos, do início ao fim, que estamos seguindo outra jornada, oura busca, conhecendo um personagem com outros conflitos, com desejos próprios e talento único, alguém por quem vamos nos interessar e com cujo destino vamos nos importar.




Ryan Coogler reacendeu nos fãs a chama da eterna admiração por Rocky e de suas lutas, no ringue e na vida, ao criar este novo universo. Seja bem-vindo, e fique quanto tempo quiser, Adonis Creed Johnson.












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