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O MENINO E O MUNDO



Gênero: Animação
Direção: Alê Abreu
Roteiro: Alê Abreu
Elenco: Emicida, Lu Horta, Marco Aurélio Campos, Melissa Garcia, Naná Vasconcelos, Vinicius Garcia
Produção: Tita Tessler
Montador: Alê Abreu
Trilha Sonora: Ruben Feffer
Duração: 85 min.
Ano: 2013
País: Brasil
Cor: Preto e Branco
Estreia: 17/01/2014 (Brasil)
Distribuidora: Espaço Filmes
Estúdio: Filme De Papel
Classificação: Livre

Sinopse: menino que mora no interior parte em busca do pai, que fora trabalhar na cidade grande. Em sua jornada, conhece uma realidade bastante diferente da sua.



Nota do Razão de Aspecto:



"O menino e o mundo" é um filme bonito. A simplicidade da frase não implica simplismo, e se justifica não só pela estética da obra, mas pela doçura de seu personagem principal. Escrito e dirigido pelo paulistano Alê Abreu, o filme tem tido uma carreira internacional de sucesso, tendo ganho, merecidamente, mais de uma dezena de prêmios (entre eles o Annie Award), e indicado como primeiro representante brasileiro na história ao Oscar de Melhor Filme de Animação.

O filme conta a história de um menino que vive no interior. Sua infância é povoada de cores e sons - e a parte sonora-musical do filme, de responsabilidade de Ruben Feffer, é uma de suas grandes forças  Seu pai vai tentar a vida na cidade, deixando o garoto bastante saudoso. Em determinado momento, ele decide seguir seu pai, e tentar a vida na cidade grande. A partir daí seu mundo lúdico acabará sofrendo os impactos dessa jornada. A audiência é apresentada, assim, a uma visão do mundo moderno construída pelos olhos deu uma criança.

Do ponto de vista da animação, "O menino e o mundo" é um filme muito mais interessante do que os produtos tradicionais de Pixar e companhia. Ainda que sejam sensacionais, neles o resultado estético final já é previsível. No caso do filme brasileiro, Alê Abreu desenhou à mão todos os quadros do filme. A predominância foi o uso de lápis de cor, típico dos desenhos de uma criança. Já na cidade grande, o realizador incluiu colagens, criações por computador, imagens de documentário e outras técnicas, como que para demonstrar a complexidade e a artificialidade da vida na cidade.



Uma escolha bastante acertada do filme é utilizar uma língua não existente (na verdade, a língua portuguesa ao contrário) para a comunicação de seus personagens. Junto à farta utilização da música - uma linguagem que independe de idioma - como acompanhante da trama, Abreu consegue tornar universal o que está sendo visto na tela.

Outra decisão interessante é a de não contar a trama de uma forma exatamente linear, o que possibilita um certo "diálogo" entre gerações - e realidades e emoções vividas pelo protagonista. 


Uma possível crítica ao filme seria a dicotomia ingênua de que a vida no campo é boa e bela, e a vida na cidade é necessariamente ruim. Além disso, o capitalismo a que somos apresentados é ainda ligado ao fordismo, o que dá um leve tom demodê aos argumentos e à imagética da trama. Como o filme trata do olhar de uma criança, esse reducionismo acaba se tornando orgânico e não incomoda tanto quanto poderia em outros contextos.

Sem grandes chances no Oscar por concorrer com uma unanimidade genial - Divertidamente, cuja crítica você pode ler aqui - "O menino e o mundo" é um representante digníssimo da qualidade da animação brasileira, que deixa uma mensagem agridoce e bela.

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