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ZOOTOPIA: ESSA CIDADE É O BICHO





Gênero: Animação
Direção: Byron Howard, Jared Bush, Rich Moore
Roteiro: Jared Bush
Elenco: Alan Tudyk, Bonnie Hunt, Don Lake, Ginnifer Goodwin, Idris ElbaJ.K. Simmons, Jason Bateman, Jenny Slate, Jesse Corti, John DiMaggio, Katie Lowes, Nate Torrence, Octavia Spencer, Olivia Spencer, Peter Mansbridge, Raymond S. Persi, Shakira, Tommy 'Tiny' Lister, Tommy Chong, Yasiin Bey
Produção: Clark Spencer
Trilha Sonora: John Powell
Duração: 108 min.
Ano: 2016
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Estreia: 17/03/2016 (Brasil)
Distribuidora: Disney
Estúdio: Walt Disney Animation Studios / Walt Disney Pictures
Classificação: Livre

Sinopse: Habitante de Zootopia, Nick Wilde, uma raposa falastrona, é acusada por um crime que não cometeu e foge. A melhor policial da cidade, uma coelha, segue seu rastro, implacavelmente determinada a fazer justiça, mas os dois inimigos acabam se unindo, ao se verem vítimas de uma grande conspiração.


Nota do razão de Aspecto:


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Filmes de animação sempre têm a difícil tarefa de proporcionar entretenimento de qualidade paras as crianças e, ao mesmo tempo, para os adultos que lhes acompanham ao cinema. Some-se a isso a necessidade de carga dramática, um pitada de comédia e um pouco de crítica social, e os produtores e diretores de um filme de animação têm um grande desafio pela frente. Felizmente, algumas produções são muito bem sucedidas, e algumas delas, certamente, ganharão o  status de clássico do cinema de animação (um dia, chegaremos aos ponto em que as animações serão clássicos do cinema como arte, e não da animação como gênero) - e Zootopia é uma dessas produções.

A maior qualidade de Zootopia é a profundidade da crítica social que leva às telas,  sob a direção o roteiro de Jared Bush, e co-direção do roteirista,  de Byron Howard e Rich Moore. O filme discute o preconceito, a discriminação e a xenofobia de uma forma leve e inteligente, em uma narrativa sobre o sonho americano, construída metaforicamente sobre a divisão de raças (neste caso, dos animais) e dos esteriótipos associados ao papel social que cada uma delas pode cumprir. Hobbs, a primeira policial coelha, é a heroína cuja jornada nos levará à descoberta daquilo que todos em Zootopia (e no mundo real) têm de bom e de ruim e nos mostra como pessoas aparentemente bem intencionadas podem reproduzir ações e juízos de valor torpes, crentes de que estão fazendo a coisa certa.



Parece contraditório imaginar este nível de crítica social em um filme da Disney (isso mesmo, da Disney. Não é Pixar, não é Universal), mas é por esta razão que a obra se destaca como arte. Sim, Zootopia faz crítica social e reflexão filosófica profunda, mas a coloca como subtexto de um universo "fofinho", no qual tudo é detalhadamente desenvolvido aos olhos do espectador e desperta a curiosidade sobre o funcionamento dos demais distritos de Zootopia -  o que resulta em um excelente mote para Zootopia 2. 




Também como grande qualidade, Zootopia dialoga com diversos gêneros cinematográficos: temos drama, comédia, sequências de ação, de filme noir, de suspense psicológico e uma grande camada de conto de fadas. Assim, a narrativa se desenvolve em dois níveis paralelos, de forma a levar às crianças uma mensagem positiva e compreensível  e de levar aos adultos uma reflexão profunda do mundo em que vivemos.



Zootopia é, fundamentalmente, um filme sobre a alteridade. Nossa relação com o outro - de outra etnia, país, classe social ou orientação sexual -, o medo que resulta do contato com o que não conhecemos, a histeria coletiva que se cria em busca de culpados para os problemas da sociedade conformam a linha narrativa e argumentativa de Zootopia. Em tempos de crescimento da xenofobia e de recrudescimento do conservadorismo, trata-se de um filme essencial para entender os nosso tempo, que contribui para as novas gerações evitarem a repetição dos mesmos erros.


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