Pular para o conteúdo principal

CAÇA-FANTASMAS



Gênero: Ação
Direção: Paul Feig
Roteiro: Katie Dippold, Paul Feig
Elenco: Andy Garcia, Annie Potts, Bill Murray, Cecily Strong, Chris Hemsworth, Dan Aykroyd, Elizabeth Perkins, Ernie Hudson, Kate McKinnon, Kristen Annese, Kristen Wiig, Leslie Jones, Mark Burzenski, Matt Walsh, Melissa McCarthy, Michael Kenneth Williams, Sigourney Weaver, Susan Park, Toby Huss
Produção: Amy Pascal, Ivan Reitman
Fotografia: Robert D. Yeoman
Montador: Don Zimmerman
Trilha Sonora: Theodore Shapiro
Duração: 116 min.
Ano: 2016
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Estreia: 14/07/2016 (Brasil)
Distribuidora: Sony Pictures
Estúdio: Pascal Pictures / Sony Pictures Entertainment
Classificação: 10 anos


Sinopse: Erin Gilbert (Kristen Wiig), Abby (Melissa McCarthy) e Jillian Holtzmann (Kate McKinnon) são três cientistas que se unem para investigar uma mansão mal assombrada, e acabam tendo que enfrentar um plano macabro que pode vir a mudar a cidade de Nova York para sempre.


Nota do Razão de Aspecto:

---------------------------------------------------------------------------------

Este filme causou uma reação forte e polêmica muito antes da estréia. Uma geração de fãs que, desde 1984, lembrava com carinho do quarteto formado por Bill Murray, Dan Aykroyd, Harold Ramis e Ernie Hudson, os Caça-Fantasmas dos dois primeiros filmes, agora teriam que se adaptar a quatro Caça-Fantasmas femininas. O temor de um discurso politicamente correto, ou a misoginia, dependendo de como se olha a questão, fizeram muitos protestarem. 

Além da questão feminista, em nada ajudou um trailer pouco empolgante, e o fato de que a química entre os atores dos filmes da década de 1980 foi mais que perfeita, criando senão dois clássicos, pelo menos duas comédias que foram um fenômeno de popularidade e transcenderam gerações. Por isto, muitos temiam pela continuação, pela quebra da magia da franquia.

Felizmente, nada disto se confirmou. O novo Caça-Fantasmas é uma refilmagem à altura e respeitosa com os originais, mantendo a leveza despretensiosa, a identidade visual, a ambientação e o universo dos filmes originais. E, ao mesmo tempo, modernizou a narrativa, sendo um filme mais veloz, dinâmico, sem perder em qualidade narrativa e construção de personagens. O discurso feminista está presente, mas em nenhum momento artificial, panfletário. Na verdade, algumas das melhores piadas do filme abordam de forma leve e inteligente o tema.


E a química entre as quatro atrizes é tão boa quanto a do quarteto original. Kristen Wiig (Perdido em Marte), Melissa McCartny (Mike & Molly), Kate McKinnon (Saturday Night Live, temporadas de 2012 a 2016) e Leslie Jones (também do Saturday Night Live, de 2014 a 2016) estão com uma química excelente, com ótimo entrosamento e timing. Cada uma de suas personagens tem seus momentos, sem ofuscar o brilho das outras. Mas, assim como nos dois primeiros filmes, onde Bill Murray fez uma atuação histórica como Peter Venkman, temos Kate McKinnon roubando a cena e fazendo uma inesquecível Jillian Holtzmann, uma cientista que sabe que tem um parafuso a menos, mas uns três a mais fora do lugar, e se diverte com sua própria excentricidade e genialidade. A única nota dissonante foram alguns poucos momentos em que Patty Tolan, a personagem de Leslie Jones, ficou um tanto caricata demais, com alguns clichês raciais. Mas nada que atrapalhasse as constantes risadas.


Para ajudar ainda mais, temos Chris Hemsworth (o Thor, da franquia Vingadores) interpretando Kevin, um secretário absolutamente incompetente. O carisma de Hemsworth e sua facilidade para fazer um humor corporal transparecem totalmente no filme. 


A trama tem em seu ponto forte a ingenuidade, a despretensão e a simplicidade. Nada de inovador em narrativa, é um filme que sabe que é entretenimento, e sabe o que tem de fazer para provocar risos, contar a história e dar duas pitadas de horror. A trilha sonora é envolvente, usando o tema clássico na medida necessária e dando sempre o complemento ao ambiente. E temos uma avalanche de easter eggs, tanto dos filmes originais como de várias outras fontes, tantos que tenho certeza que não percebi alguns. Além de, é claro, a participação especial de quase todo o elenco dos filmes originais.

Os fantasmas, os feixes de prótons, os uniformes, o carro, tudo tem a linguagem visual dos anos 1980, mas com a tecnologia atual. Até o efeito 3D ficou empolgante e acrescentou ao filme, coisa rara hoje em dia. Uma refilmagem que acrescenta e enriquece os filmes originais, e o filme mais divertido que vi este ano. E não se esqueçam de não sair antes do fim dos créditos.

por Aniello Greco

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Sete psicopatas e um Shih Tzu - Netflixing

Pegue a violência extrema como instrumento de sátira, a moda Tarantino. Misture com um estilo visual e escolha de cenários que lembram os irmãos Coen. Dose com pitadas de neurose Woddy Allen e surrealismo David Lynch. E temos a receita para Sete psicopatas e um Shih Tzu . Gênero:   Comédia Direção:  Martin McDonagh Roteiro:  Martin McDonagh Elenco:  Abbie Cornish, Amanda Mason Warren, Andrew Schlessinger, Ante Novakovic, Ben L. Mitchell, Bonny the ShihTzu, Brendan Sexton III, Christian Barillas, Christine Marzano, Christopher Gehrman, Christopher Walken, Colin Farrell, Frank Alvarez, Gabourey Sidibe, Harry Dean Stanton, Helena Mattsson, James Hébert, Jamie Noel, John Bishop, Johnny Bolton, Joseph Lyle Taylor, Kevin Corrigan, Kiran Deol, Linda Bright Clay, Lionel D. Carson, Long Nguyen, Lourdes Nadres, Michael Pitt, Michael Stuhlbarg, Olga Kurylenko, Patrick O'Connor, Richard Wharton, Ricky Titus, Ronnie Gene Blevins, Ryan Driscoll, Sam B. Lorn,...

INTERESTELAR POR NANDO REIS

Interestelar é um filme que muita gente gosta (e o Nolan é o Caetano dos cineastas - mesmo quando erra o povo idolatra). Eu gostei do filme, mas com ressalvas, como pode ser visto aqui . Depois do filme - que eu achei meio brega -, nada me fazia esquecer o Nando Reis... Agora, para celebrar o Carnaval, resgato um enredo criado lá nos inícios da nossa página no Facebook .  Olha aí a Acadêmicos da Razão de Aspecto com o samba: "O esplendor interestelar do caubói bonzinho e o amor transcendente no céu de São Salvador", escrito por Nando Reis.  " O que está acontecendo? O mundo está ao contrário e ninguém reparou O que está acontecendo? Eu estava em paz quando você chegou.."   "Então me diga se você ainda gosta de mim porque de você eu gosto e isso não deve ser assim tão ruim.." " Amor dará e receberá Do ar, pulmão; da lágrima, sal Amor dará e receberá Da luz, visão do tempo espiral" "A letra A tem seu nome..."...

MONSTER TRUCKS (2016) - CINEMA EM UM PARÁGRAFO

Se Monster Trucks fosse lançado há 30 anos teria potencial de clássico da Sessão da Tarde. Para o bem ou para o mal é isso que vemos em tela. Temos uma aventura/fantasia onde um adolescente junto com um bicho salva o dia (não é spoiler, mas o caminho mais que óbvio nesse tipo de narrativa...). Para isso, ele conta com a ajuda da "namorada" bonita, do amigo nerd e tem que lutar contra uma grande corporação além de ter como mini antagonista um playboy da escola. A trilha heroica contribui para o ambiente, a montagem acelerada para o ritmo e o subtexto ambiental tenta passar uma mensagem. Já a criatura, feia e carismática, tenta voltar para casa (ET?). O uso dela em comunhão com o carro flerta com um quê de Transformers. Monster Trucks tem uma pegada infanto-juvenil, mas não gosto de subestimar esse público, por isso as conveniências e furos do roteiro pesam. Ainda assim é uma boa opção para aqueles que querem se entreter, ter um pouco de nostalgia e explicar para os filho...