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SETE HOMENS E UM DESTINO (2016)



Gênero: Faroeste
Direção: Antoine Fuqua
Roteiro: John Lee Hancock, Nic Pizzolatto
Elenco: Billy Slaughter, Byung-hun Lee, Cam Gigandet, Carrie Lazar, Chris PrattDenzel Washington, Dylan Kenin,Ethan Hawke, Griff Furst, Haley Bennett, Juan Gaspard, Luke Grimes, Matt Bomer, Peter Sarsgaard, Sean Bridgers, Shona Gastian, Thomas Blake Jr., Vincent D'Onofrio, Vinnie Jones, William Lee Scott
Produção: Roger Birnbaum, Todd Black
Fotografia: Mauro Fiore
Montador: John Refoua
Trilha Sonora: James Horner
Duração: 132 min.
Ano: 2016
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Estreia: 22/09/2016 (Brasil)
Distribuidora: Sony Pictures
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM) / Sony Pictures Entertainment (SPE) / Village Roadshow Pictures

Sinopse: Refilmagem do "Sete Homens e um Destino" de 1960, o filme conta a história de moradores de um vilarejo cansados de serem atacados por pistoleiros. Eles decidem contratar atiradores para lutarem contra os bandidos.


Nota do Razão de Aspecto:

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Qualquer remake de um filme clássico assume o risco de tornar-se uma paródia incidental, uma cópia mal feita ou o de apenas levantar a questão da necessidade, ou não, de refazer o filme. Apesar de concordar com o argumento de que alguns filmes são únicos, discordo com argumento da necessidade: nenhum filme precisa ser feito, a priori, mas, depois de feito, o filme precisa ser bom e ter sentido para o seu público e para a sua época. Neste quesito, Sete Homens e em Destino (2016) é um filme bem sucedido.

Apesar da sombra do filme homônimo de 1960 e de Os Sete Samurais (1954), que inspirou o agora clássico western original, Sete Homens e em Destino (2016) sustenta-se como narrativa autônoma e é superior ao original em alguns pontos. A preocupação de não realizar uma cópia e, ao mesmo tempo, de não inovar naquilo que não é necessário fez desse filme um dos poucos remakes bem sucedidos dos últimos tempos.



A principal mudança realizada pela equipe de 2016 está na reestruturação e na atualização da narrativa. O vilão, as motivações e os personagens são distintos do filme original, com algumas vantagens para a versão de 2016. Alguns personagens reuniram características de dois personagens do original, para que novos personagens e novos arquétipos pudessem ser introduzidos na nova versão. 

No filme de 1960, as motivações fundamentam-se na redenção, na lealdade e na superação do medo, ao passo que, no filme de 2016, a vingança, o desespero e a busca de justiça são os motores da ação dos personagens. No filme de 2016, também temos uma diversidade maior de gênero e etnia (um reflexo do nosso tempo, ainda que historicamente impreciso) em comparação ao original. 



Sete Homens e em Destino (2016) é um filme menos sombrio do que o original, muito embora tenha um vilão muito mais cruel e com motivações mais egoístas. A religiosidade, o apego à família e às tradições não têm função narrativa relevante no filme, ao passo que o alívio cômico é muito mais presente em 2016 - embora não funcione sempre.



A grande vantagem da produção atual são as atuações, especialmente as de Denzel Washington, Chris Pratt e Ethan Hawke, que formam o núcleo dramático central dos "sete magníficos", sem deixar de destacar as atuações competentes dos demais atores. Trata-se de um elenco carismático, que torna o filme divertido e prazeroso para o público. É possível que minha comparação das atuações seja influenciada pelo fato de se tratarem de estilos de atuação e direção completamente diferentes, já que, em 1960, havia uma forma de atuação própria dos westerns. Embora esteja datada, não diminui a qualidade do original. Para o público atual, os personagens de Denzel e Hawke, por exemplo, são muito mais empáticos do que os originais.



A fotografia de Sete Homens e em Destino (2016) é impecável. No primeiro frame do filme, admito que soltei um palavrão na sala do cinema, quando me dei conta de que não se tratava de uma pintura, mas, sim, de um plano geral da paisagem. Neste ponto, o filme também tem uma grande vantagem em relação ao original, por ter realizado todas as filmagens em locações mais amplas, enquanto o filme de 1960 se utilizava de enquadramentos mais fechados para cenas obviamente gravadas dentro de um estúdio. Assim, Sete Homens e em Destino (2016) pôde investir na paisagem como personagem da narrativa e utilizar-se do jogo de luz e sombras de forma esteticamente interessante e narrativamente funcional para a construção da personalidade dos personagens. Se algo me incomodou Sete Homens e em Destino (2016), foi a trilha sonora onipresente e pouco memorável, ao contrário da trilha sonora do original, que se tornou um clássico do cinema mundial - talvez uma das dez melhores da história do cinema. 



Se há algo claramente inferior em Sete Homens e em Destino (2016), é último ato, especialmente no confronto entre os "7 magníficos" e o exército do vilão Bart Bogue. Além de algumas violações das leis da física, como tiros de metralhadora "fazendo curva", o desfecho é menos cru e menos bruto, talvez mais épico, mas certamente mais artificial. Trata-se de um desfecho mais semelhante ao de um filme de ação do que ao de um western, mas não chega a comprometer a experiência.

Antoine Fuqua fez um filme que honra a sua versão clássica, usou e abusou dos clichês do gênero, sem se levar muito a sério, criou uma narrativa própria e consistente que funcionaria por si mesma, sem depender da referência a obras anteriores. Um bom trabalho de direção, que merece aplausos entusiasmados por não ter estragado um clássico do cinema mundial.

Por fim, não custa afirmar: em termos de motivação, dilemas pessoais e redenção dos personagens, Sete Homens e em Destino (2016) é aquilo que Esquadrão Suicida não conseguiu ser.


por Maurício Costa

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