Pular para o conteúdo principal

O Silêncio do Céu - Cinema em um Parágrafo



Um filme sobre medo, culpa, distância e sobre a função social da hipocrisia. O Silêncio do Céu trata de um tema sempre perturbador, o estupro, em uma perspectiva que não é nem condescendente nem vitimista. No filme, o estupro é o mote para o desenvolvimento dos personagens, o casal formado por Diana (Carolina Dickman) e Mario (Leonardo Sbaraglia), com sua falta de diálogo e de proximidade. Com um roteiro bem desenvolvido, o diretor Marco Dutra nos leva a uma jornada psicológica pelos medos e traumas do casal e suas consequências para os seus atos. Tudo no filme expressa o estado psicológico dos protagonistas: as cores, o figurino, a fotografia e, principalmente, o design de som. A fotografia privilegia o uso de planos fechados e o jogo de luz e sombras, de forma a causar no espectador empatia com o incômodo do personagem, além de investir no contraste entre a luminosidade de Montevidéu e as sombras e a escuridão dos ambientes fechados, que representam o mundo interior dos personagens. O design de som é impressionante, com uma trilha sempre presente, porém sutil, e com o uso dos sons diegéticos como recurso para expressar o medo ou o suspense: um simples chiado de chaleira se transforma em sinônimo de terror. O Silêncio do Céu não é um filme simples e palatável para corações fracos, mas, se você é fã de Lars Von Trier e Thomas Vinterberg, este é o filme que você estava esperando em 2016. Nota: 5/5

Leia a ficha técnica aqui.

Comentários

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Sete psicopatas e um Shih Tzu - Netflixing

Pegue a violência extrema como instrumento de sátira, a moda Tarantino. Misture com um estilo visual e escolha de cenários que lembram os irmãos Coen. Dose com pitadas de neurose Woddy Allen e surrealismo David Lynch. E temos a receita para Sete psicopatas e um Shih Tzu . Gênero:   Comédia Direção:  Martin McDonagh Roteiro:  Martin McDonagh Elenco:  Abbie Cornish, Amanda Mason Warren, Andrew Schlessinger, Ante Novakovic, Ben L. Mitchell, Bonny the ShihTzu, Brendan Sexton III, Christian Barillas, Christine Marzano, Christopher Gehrman, Christopher Walken, Colin Farrell, Frank Alvarez, Gabourey Sidibe, Harry Dean Stanton, Helena Mattsson, James Hébert, Jamie Noel, John Bishop, Johnny Bolton, Joseph Lyle Taylor, Kevin Corrigan, Kiran Deol, Linda Bright Clay, Lionel D. Carson, Long Nguyen, Lourdes Nadres, Michael Pitt, Michael Stuhlbarg, Olga Kurylenko, Patrick O'Connor, Richard Wharton, Ricky Titus, Ronnie Gene Blevins, Ryan Driscoll, Sam B. Lorn,...

MONSTER TRUCKS (2016) - CINEMA EM UM PARÁGRAFO

Se Monster Trucks fosse lançado há 30 anos teria potencial de clássico da Sessão da Tarde. Para o bem ou para o mal é isso que vemos em tela. Temos uma aventura/fantasia onde um adolescente junto com um bicho salva o dia (não é spoiler, mas o caminho mais que óbvio nesse tipo de narrativa...). Para isso, ele conta com a ajuda da "namorada" bonita, do amigo nerd e tem que lutar contra uma grande corporação além de ter como mini antagonista um playboy da escola. A trilha heroica contribui para o ambiente, a montagem acelerada para o ritmo e o subtexto ambiental tenta passar uma mensagem. Já a criatura, feia e carismática, tenta voltar para casa (ET?). O uso dela em comunhão com o carro flerta com um quê de Transformers. Monster Trucks tem uma pegada infanto-juvenil, mas não gosto de subestimar esse público, por isso as conveniências e furos do roteiro pesam. Ainda assim é uma boa opção para aqueles que querem se entreter, ter um pouco de nostalgia e explicar para os filho...

NETFLIXING: CÓDIGO DE SILÊNCIO (BURNING SANDS, 2017) - CINEMA EM UM PARÁGRAFO

Código de Silêncio estreou no Festival de Sundance 2017 , na mostra competitiva de dramas estadunidenses. Na cobertura do Conexão Sundance , comentei o filme no vídeo do Dia 10 . O filme   trata do ingresso jovens calouros na universidade e sua jornada para ingressar em uma fraternidade. Nada muito original, a não ser pelo fato de que, neste filme, se trata de uma universidade negra.  Código de Silêncio  inclusive repete o tema - mas não a abordagem - de  O Trote (Goat),  que também concorreu no  Festival de Sundance 2016 .  Código de Silêncio,  entretanto, enfatiza os reflexo do racismo no comportamento da própria comunidade negra, além do machismo e do assédio sexual às universitárias - outro tema candente na sociedade estadunidense atual. O ponto forte do filme são as atuações, que são muito intensas e difíceis, considerando o grau de violência envolvido. O diretor e co-roteirista Gerard McMurray optou por uma jornada convencional: um g...