Pular para o conteúdo principal

Jack Reacher: Sem Retorno (Jack Reacher: Never Go Back, 2016) - CRÍTICA


O super astro Tom Cruise volta com Jack Reacher em mais um longa da franquia. Será que é tão bom quanto o anterior?







Gênero:
Ação
Direção: Edward Zwick
Roteiro: Edward Zwick, Marshall Herskovitz
Elenco: Aldis Hodge, Ben VanderMey, Cobie Smulders, Danika Yarosh, Holt McCallany, Hunter Burke, Jason Douglas, Juan Gaspard, Patrick Heusinger, Rebecca Chulew, Robert Knepper, Starlette Miariaunii, Sue-Lynn Ansari, Teri Wyble, Tia Nicholson, Tom Cruise, Wolfgang Stegemann
Produção: Don Granger, Tom Cruise
Fotografia: Oliver Wood
Trilha Sonora: Henry Jackman
Duração: 120 min.
Ano: 2016
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Estreia: 24/11/2016 (Brasil)
Distribuidora: Paramount Pictures
Estúdio: Paramount Pictures / Skydance Productions / TC Productions
Classificação: 14 anos


Sinopse: Jack Reacher (Tom Cruise) retorna à base militar onde serviu na Virgínia, onde pretende encontrar a major Susan Turner (Cobie Smulders). Só que logo descobre que ela está presa, acusada de ter vazado informações confidenciais do exército. Reacher resolve iniciar uma investigação por conta própria e logo descobre que o caso é bem mais complicado do que imaginava.


Nota do Razão de Aspecto:



-----------------------------------------------------------------------------

Apresentar Tom Cruise é um tanto desnecessário. Quem não conhece o Ethan Hunt da franquia Missão Impossível? O vigor do ator é algo ainda bem presente, mesmo aos 54 anos. Ele tem presença, carisma, acredita nos personagens e parece continuar sem dublê. Não é uma atuação brilhante, digna de Oscar por exemplo, contudo é muito sincera. Esse definitivamente não é o problema em Jack Reacher: Sem Retorno. Ou seja, aqueles que só querem ir ao cinema ver o ídolo saltando, deferindo golpes absurdos e posando para a câmera sem camisa exibindo os músculos... pode ir que irá se divertir.  



O grande ponto contra é praticamente todo o resto... a direção é altamente burocrática e sem criatividade. Edward Zwick (Dono do Jogo, Diamante de Sangue) está mais no automático do que a pistola usada por um dos bandidos. Entendo que o material que ele tinha para trabalhar era pobre, mas não há esforço para empolgar os fãs assíduos de ação e tampouco o público ocasional. Ela falha na medida que se esquiva de entregar algo memorável. Nesse sentido, Christopher McQuarrie, diretor de Jack Reacher: Último Tiro, é mais efetivo na condução da história. Seja no pensamento de como apresentou aquela ou nos ângulos de câmera que favoreciam um combate mais visual e intenso.

E o roteiro clichê e genérico é outro aspecto que afasta o sucesso em Jack Reacher: Sem Retorno. A história se desenvolve sem surpresas, somos espectadores da jornada do ponto A até o B. Não vemos uma preocupação em contar algo que vamos lembrar daqui a 1 mês. Há um elemento novo (em relação ao filme anterior, mas altamente manjado) que é a tentativa de uma profundidade familiar ao inserir uma suposta filha para o nosso protagonista. A menina traz os traços de personalidade de Jack e isso poderia render alguns momentos de destaque. Ela é abusada, tem raciocínio rápido e é destemida. Contudo, todos os movimentos são muito previsíveis para o público. Da primeira à última cena. 

A jovem Danika Yarosh tem algum brilhareco, mas perde feio por exemplo para Angourie Rice no Dois Caras Legais. Enquanto Rice consegue bater de frente com Ryan Gosling e Russell Crowe, a Yarosh tem trejeitos tão óbvios quanto a personagem. Já a nova parceira de Reacher, a Major Turner (Cobie Smulders) é quase uma sidekick. Ela basicamente só acompanha Jack mas não consegue se tornar marcante (nada aqui o é, aliás) como a advogada Helen (Rosamund Pike) foi. O arco dela, de certo modo o central do longa, é empurrado goela abaixo em uma apresentação muito rápida. Há um o outro bom diálogo sobre o papel da mulher "devo servir de babá só por ser mulher?", mas escassos e sem novidades. 


Se você é daqueles que não querem um roteiro profundo em um filme de ação, e vai ao cinema só pelas cenas visualmente espetaculosas, também pode se frustar. A passagem na cadeia, no desfile e no restaurante são pobres e vazias de empolgação. Todos os movimentos caem na máxima de já vi isso antes... 878 vezes.... E o drama familiar ocupa o espaço das cenas mais movimentadas. A recusa ao ex-título militar poderia ter uma repercussão maior do que a subtrama com a adolescente. Faria mais sentido investir na questão militar de Jack do que na quase melosa faceta como pai. 


Jack Reacher: Sem Retorno é mais um longa exaltando Tom Cruise, uma ilha cercada de um grande vazio cinematográfico em volta. Será que ele ainda precisa pagar as contas ou fez um contrato para uma série de filmes? Este ano, opções como Jason Bourne, O Contador e  Hardcore Henry são bem mais atrativas do que o longa que estreia nesta semana.





Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Sete psicopatas e um Shih Tzu - Netflixing

Pegue a violência extrema como instrumento de sátira, a moda Tarantino. Misture com um estilo visual e escolha de cenários que lembram os irmãos Coen. Dose com pitadas de neurose Woddy Allen e surrealismo David Lynch. E temos a receita para Sete psicopatas e um Shih Tzu . Gênero:   Comédia Direção:  Martin McDonagh Roteiro:  Martin McDonagh Elenco:  Abbie Cornish, Amanda Mason Warren, Andrew Schlessinger, Ante Novakovic, Ben L. Mitchell, Bonny the ShihTzu, Brendan Sexton III, Christian Barillas, Christine Marzano, Christopher Gehrman, Christopher Walken, Colin Farrell, Frank Alvarez, Gabourey Sidibe, Harry Dean Stanton, Helena Mattsson, James Hébert, Jamie Noel, John Bishop, Johnny Bolton, Joseph Lyle Taylor, Kevin Corrigan, Kiran Deol, Linda Bright Clay, Lionel D. Carson, Long Nguyen, Lourdes Nadres, Michael Pitt, Michael Stuhlbarg, Olga Kurylenko, Patrick O'Connor, Richard Wharton, Ricky Titus, Ronnie Gene Blevins, Ryan Driscoll, Sam B. Lorn,...

INTERESTELAR POR NANDO REIS

Interestelar é um filme que muita gente gosta (e o Nolan é o Caetano dos cineastas - mesmo quando erra o povo idolatra). Eu gostei do filme, mas com ressalvas, como pode ser visto aqui . Depois do filme - que eu achei meio brega -, nada me fazia esquecer o Nando Reis... Agora, para celebrar o Carnaval, resgato um enredo criado lá nos inícios da nossa página no Facebook .  Olha aí a Acadêmicos da Razão de Aspecto com o samba: "O esplendor interestelar do caubói bonzinho e o amor transcendente no céu de São Salvador", escrito por Nando Reis.  " O que está acontecendo? O mundo está ao contrário e ninguém reparou O que está acontecendo? Eu estava em paz quando você chegou.."   "Então me diga se você ainda gosta de mim porque de você eu gosto e isso não deve ser assim tão ruim.." " Amor dará e receberá Do ar, pulmão; da lágrima, sal Amor dará e receberá Da luz, visão do tempo espiral" "A letra A tem seu nome..."...

MONSTER TRUCKS (2016) - CINEMA EM UM PARÁGRAFO

Se Monster Trucks fosse lançado há 30 anos teria potencial de clássico da Sessão da Tarde. Para o bem ou para o mal é isso que vemos em tela. Temos uma aventura/fantasia onde um adolescente junto com um bicho salva o dia (não é spoiler, mas o caminho mais que óbvio nesse tipo de narrativa...). Para isso, ele conta com a ajuda da "namorada" bonita, do amigo nerd e tem que lutar contra uma grande corporação além de ter como mini antagonista um playboy da escola. A trilha heroica contribui para o ambiente, a montagem acelerada para o ritmo e o subtexto ambiental tenta passar uma mensagem. Já a criatura, feia e carismática, tenta voltar para casa (ET?). O uso dela em comunhão com o carro flerta com um quê de Transformers. Monster Trucks tem uma pegada infanto-juvenil, mas não gosto de subestimar esse público, por isso as conveniências e furos do roteiro pesam. Ainda assim é uma boa opção para aqueles que querem se entreter, ter um pouco de nostalgia e explicar para os filho...