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Sully: O Herói do Rio Hudson (Sully, 2016)

Sully: O Herói do Rio Hudson com Tom Hanks e Clint Eastwood é outro possível candidato a algumas categorias no Oscar 2017.




Gênero:
Drama
Direção: Clint Eastwood
Roteiro: Chesley Sullenberger, Jeffrey Zaslow, Todd Komarnicki
Elenco: Aaron Eckhart, Anna Gunn, Ashley Austin Morris, Autumn Reeser, Brett Rice, Carla Shinall, Chris Bauer, Doris McCarthy, Gary Weeks, Holt McCallany, Jeff Kober, Jerry Ferrara, Laura Linney, Lynn Marocola, Max Adler, Robert Pralgo, Sam Huntington, Tom Hanks, Tracee Chimo, Valerie Mahaffey, Wilbur Fitzgerald
Produção: Bruce Berman, Clint Eastwood, Gary Goetzman, Robert Lorenz, Tom Hanks
Fotografia: Tom Stern
Montador: Blu Murray
Ano: 2016
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Estreia: 01/12/2016 (Brasil)
Distribuidora: Warner Bros.
Estúdio: BBC Films / FilmNation Entertainment / Flashlight Films / Malpaso Productions / RatPac Entertainment / Village Roadshow Pictures / Warner Bros. Pictures
Classificação: A definir


Sinopse: a história do experiente piloto Chesley "Sully" Sullenberger que após ter que fazer uma manobra arriscada, conduzir um avião até as águas do Rio Hudson, salva a vida da tripulação e de todos os passageiros. Baseado em fatos reais.


Nota do Razão de Aspecto:




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Existem histórias tão incríveis que só podem ser reais. Em alguns momentos, os fatos ou os personagens são maiores que uma possível obra sobre o ocorrido. Isso não acontece em Sully. Aqui, vemos um retrato muito bem sucedido que honra os acontecimentos de janeiro de 2009. As mãos e o gênio criativo de Clint Eastwood continuam afiados. Da cena inicial à final, o longa nos prende e nos presenteia com momentos precisos - e de uma precisão técnica e emocional. E como diz o comandante Chesley "Sully" Sullenberger (Tom Hanks) no trailer: "preparem-se para o impacto".


Duas coisas surpreendem em Sully: o jeito como se extrai emoção de cada momento, sem enveredar para um melodrama, e como o longa se propõe a tratar de tantas coisas em um curto espaço de tempo - e o faz de forma plena. A história poderia trazer uma narrativa muito mais simplificada e se ater aos movimentos aeronáuticos e a tensão de dentro daquele avião. Tal opção não seria, a priori, errada. Contudo, ante ao que foi apresentado, vemos o quanto teríamos desperdiçado. 



Enquanto Sully é visto como um mito por toda a população, ele sofre uma sindicância que coloca em cheque as atitudes do peculiar dia "40 anos no ar, mas no fim serei julgado por aqueles segundos". Esse julgamento ocasiona em Sully alucinações que o perturbam (curiosamente, no último papel de Hanks, o professor Robert Langdon, em Inferno, há algo parecido). Será que o que ele fez estava correto, ou a atitude que se mostrou heroica pôs a vida de todos em risco à toa? A direção de Clint explora diversas facetas desse drama. 

A relação com a esposa desencadeia ótimos diálogos por telefone. Incrível como duas atuações convergem tão bem. Laura Linney e Tom Hanks nos entregam um casal real: amorosos, preocupados e que não dão conta de tudo que está acontecendo. Essa é uma subtrama que poderia escapulir do longa. Mas tal presença não incomoda o ritmo da trama, pelo contrário, dá mais uma camada ao personagem. Ela ainda coaduna  com as discussões entre fator humano e as tecnologias que simulam o que Sully poderia ter feito. Esse embate, aliás, acaba sendo o grande foco do filme.



Outro acerto é a narrativa não linear. Ao trazer para as telas um fato recente, ainda fresco na mente de todos, a emoção não se daria em saber o destino daquele avião. Então, a opção de focar no pós-voo é bem pertinente. Há, por exemplo, uma exaltação da equipe de resgate, quase tão importante quanto o comandante. O que deixou a desejar foi a ausência de foco no co-piloto. Mesmo em alguns momentos tendo tentativas de enaltecer a participação dele, no fim, Jeff Skiles (Aaron Eckhart) serve de um quase alívio cômico e de escada para Sully. 

No geral, o roteiro do longa é redondo. Não há exposições além da conta, tampouco termos técnicos que poderiam tirar o público da história. Os passageiros que recebem algum destaque têm pinceladas para que a gente possa criar empatia com eles; não faria sentido traçar um perfil detalhado de cada um. Vale ficar até o final da projeção, pois, nos créditos, há imagens reais, que realmente emocionam.



Na parte técnica, o destaque vai para a montagem e para o som. A edição permitiu uma fluidez difícil de ser atingida, dado o tanto de
flashbacks. O vai e vem fica incrivelmente orgânico - salvo duas cenas do passado de Sully, que acabam sobrando. O som tem papel fundamental aqui. Os diversos efeitos sonoros são harmonizados com muita eficácia. O último filme de Clint, Sniper Americano, foi premiado nas duas categorias de som do Oscar, então, podemos ficar de olho. 

Outra indicação possível ao Oscar é a de Tom Hanks. A necessidade de extravasar, o olhar perdido, as ligações com a esposa, a certeza da atitude tomada e, na mesma medida, a incerteza, toda essa complexidade, são postas em tela por Hanks. Ao lado de Omar Sy, em Chocolate, são as melhores atuações masculinas que eu vi em 2016. E se Hanks bateu na trave ano passado com Ponte dos Espiões, ficando de fora da lista dos cinco indicados, a dobradinha com Clint Eastwood (o diretor que tem vários indicados sobre a batuta dele, como o recente Bradley Cooper, no Sniper) pode render ao menos o top 5 da academia para o queridinho Tom. 

Sully: O Herói do Rio Hudson se relaciona muito com a história recente do povo norte-americano. Há até uma fala no filme na qual eles já estavam desacostumados a boas notícias envolvendo aviões. Além da qualidade da produção, por toda essa comoção, o longa pode flertar com algumas categorias do Oscar além das citadas, correndo bem por fora pode vir uma indicação para melhor filme e direção. O grande favorito, hoje, ainda é A Chegada. Aguardemos. 

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