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WESTWORLD (1.6) - THE ADVERSARY - SÉRIES E TV


Westworld avança suas tramas em um episódio muito bom.

ESTA CRÍTICA CONTÉM SPOILERS DO SEXTO EPISÓDIO 
DE WESTWORLD

Leia a fica técnica aqui

Nota do Razão de Aspecto: 

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A primeira temporada de Westworld apresentou um sexto episódio um pouco diferente dos anteriores na questão do ritmo. Foi um capítulo mais ágil e como foco maior nos bastidores do "mundo real" (sempre perigoso fazer grandes afirmações sobre realidade nesta série...). Não por acaso, foi o primeiro episódio sem a participação de Dolores – o que, de certa forma, é positivo para não hiperfocar em uma personagem específica. Sem a Anfritriã mais antiga de Westworld em cena, o resto do elenco brilhou ainda mais.


Bernard e Elsie continuam tentando descobrir quem seria responsável pela espionagem industrial descoberta no episódio passado. Ao investigar cinco anfitriões de modelo antigo sem registro em determinada área do parque, Bernard descobre que Ford mantém uma reprodução de suas férias de verão, "única época em que foi verdadeiramente feliz". Temos a confirmação de que o menino que aparecera em episódios anteriores é ninguém menos do que um anfitrião que emula o próprio Robert Ford na juventude. Os outros Anfitriões ali são seus pais, seu irmão e Jock, o cachorro da família. Esse cenário foi criado por Arnold, como presente para Ford. Mas a tranquilidade daquela memória preservada não dura muito. Ford descobre que Arnold mandou Robert, sua versão artificial, matar Jock. Se Arnold pode controlar até mesmo essa joia pessoal guardada por Ford, trata-se de um adversário de enorme poder...

Ford tem destaque no episódio também por perceber o símbolo do labirinto entalhado em Las Mudas, vila onde morava Lawrence e a família. Ao retornar para seu escritório, ele apanha um caderno antigo, cheio de anotações, e vê o mesmo símbolo. Seria aquele um diário de ideias de Arnold, ainda da época da criação do parque?


Ainda sobre o labirinto, Teddy dá mais um pista (e razão para especulações) ao contar para o Homem de Preto que há uma lenda indígena local de que um homem, cansado de morrer e voltar a viver, teria se vingado de seus opressores, e depois construído uma casa, e, em volta dela, um labirinto inexpugnável. O labirinto significaria todas as possibilidades, escolhas e sonhos da vida do indivíduo (ecos de Borges?). Caso essa descrição corresponda à verdade, aparentemente o labirinto foi construído por um Anfitrião, o que nos leva a perguntar a qual adversário se refere o título do episódio.


Teddy e o Homem de Preto são capturados por Anfitriões programados com soldados do Exército da União. Aqui, novamente, o símbolo do labirinto aparece, desta vez em um ferro de marcar o gado. Antes que sofra nas mãos dos captores, e ao ser acusado de assassino, Teddy se recorda de um passado sanguinário ao lado de Wyatt, e não apenas se liberta, mas mata todos os Anfitriões do local. Sua jornada ao lado do Homem de Preto em direção ao labirinto está cada vez mais perto do final.

Pela primeira vez na série, somos apresentados à área VIP do parque, fora do cenário do Velho Oeste. Naquele resort de alto luxo, reencontramos Lee Sizemore, responsável pela criação das tramas do parque. Sizemore está em crise criativa, estressado por ter seu trabalho desprezado por Ford. Entre um drinque e outro, e a ameaça de se demitir quando Theresa Cullen cobra seu retorno, Sizemore flerta com uma nova hóspede do parque. Pressionado, ele dá um pequeno show ao urinar sobre o painel-maquete do parque, na sala de controle – apenas para descobrir que a tal nova hóspede é Charlotte Hale (Tessa Thompson, de Creed), responsável enviada pelo Conselho de Delos para supervisionar a nova narrativa de Ford e o funcionamento do parque em geral. Teríamos aí mais uma adversária, que chega para se contrapor aos planos do criados do parque?

No arco mais clichê do episódio, Elsie vai investigar sozinha um o local de onde estão partindo as transmissões clandestinas para fora de Westworld. Ao lá chegar, ela descobre que um satélite da própria Delos tem recebido as transmissões, e revela a Bernard que Theresa Cullen está por trás dos vazamentos. Mais preocupante do que isso, outra pessoa, que Elsie só consegue identificar como o próprio Arnold, tem usado o sistema bicameral (descrito por Ford como parte da teoria de Arnold sobre controle dos robôs) para controlar Anfitriões.

 
A grande personagem do episódio, entretanto, foi Maeve. Tendo convencido Felix a levá-la para um tour pela parte técnica-operacional do Parque – em que podemos ver a grandiosidade do complexo -, Maeve, embalada pelo som de uma versão instrumental melancólica de Fake Plastic Trees, do Radiohead, aprende sobre como são criados, programados e consertados os Anfitriões. Em vez de sucumbir a uma profunda depressão por descobrir o quão falsa fora sua vida até então, ela mantém o empreendedorismo de sua programação, chantageia Sylvester (o técnico de reparos parceiro de Félix) e faz com que sejam alterados os próprios atributos. A cena é um deleite para jogadores de RPG, já que os Anfitriões possuem uma série de atributos (carisma, inteligência, percepção, etc), que lembram em tudo a criação de um personagem. Ao maximizar sua inteligência, Maeve parece pronta para ditar novas regras para o jogo...

Menos hermético do que episódios anteriores "The adversary" avança ainda mais as tramas, enquanto mantém expectativas e mistérios anteriores (sobre o que será exatamente o labirinto ou o que Maeve fará agora que tem consciência plena de suas situação) e criando novos (como as identidades do construtor do labirinto e do agressor de Elsie).

O episódio deu mais força aos fãs que acreditam que há duas linhas temporais sendo tratadas ao mesmo tempo pela temporada (e a ausência de uma delas talvez tenha sido um dos fatores que deu mais coesão ao este episódio em particular). O logotipo de Westworld durante o passeio de Maeve e Felix pelo complexo é diferente do mostrado quando da entrada de Billy no parque. Este é igual, por outro lado, ao mostrado no monitor acessado por Bernard no "lower level" (aliás, reveja o trecho e encontre um Easter egg sobre o filme de 1973 que inspirou a série).

Logotipo na chegada de William e Logan

Logotipo nas cenas "contemporâneas" da série

Do ponto de vista da fotografia, há uma escolha visual que já havia aparecido em outros epísódios, mas que ficou mais patente neste sexto:  se o laboratório onde são criados e reparados os Anfitriões tem uma predominância de vidro e verde - em um tom que evoca a tecnologia (vide, por exemplo a trilogia Matrix, no escritório de Theresa Cullen, a burocrata aparentemente traidora, tem ecos de vermelho (que evoca a guerra e o sangue).

Faltando quatro capítulos até o fim da temporada, foi interessante ver um episódio que dá impressão de movimento nas tramas. O desafio de séries como Westworld é a de conseguir dar conta do tamanho da expectativa e das teorias que ela mesmo provocou. Um final de temporada menos que espetacular deixará um certo gosto de decepção. Mas, por enquanto, a grande adversária potencial de um sucesso absoluto da série é ela própria. 


por D.G.Ducci

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