Pular para o conteúdo principal

Os Penetras 2: Quem Dá Mais? (2017)- Crítica


Os Penetras 2: Quem Dá Mais? traz uma história boba, sem graça e com personagens mal aproveitados.





Gênero:
 Comédia
Direção: Andrucha Waddington
Roteiro: João Paulo Horta, Renato Fagundes, Ulisses Molusco Oliveira
Elenco: Danton Mello, Eduardo Sterblitch, Elena Sopova, Laila Zaid, Marcelo Adnet, Mariana Ximenes, Mikhail Bronnikov, Stênio Garcia, Stepan Nercessian
Produção: Andrucha Waddington, Eliana Soárez
Fotografia: Fernando Young
Montador: Sergio Mekler, Thiago Lima
Duração: 85 min.
Ano: 2015
País: Brasil
Cor: Colorido
Estreia: 19/01/2017 (Brasil)
Distribuidora: Universal Pictures
Estúdio: Conspiração Filmes
Classificação: 12 anos
Sinopse: A sequência da comédia "Os Penetras" (2012) acompanha as armações de Marco Polo (Marcelo Adnet) e de seu fiel e atrapalhado comparsa Beto (Eduardo Sterblitch). Beto fica desolado após ter sido enganado pelo colega e é internado em uma clínica psiquiátrica, mas logo é surpreendido por uma notícia que pode mudar os rumos de sua vida e de seus parceiros Laura (Mariana Ximenes) e Nelson (Stepan Nercessian). Eles ainda conhecem Santiago, um milionário sedutor, e Oleg, um mafioso russo.













Nota do Razão de Aspecto:


---------------------------------------------------------------------------------
Muita gente fala mal de comédias brasileiras, ironicamente é o gênero nacional que mais rende bilheteria (vide o sucesso recente de Minha Mãe é uma Peça 2). O que ocorre então é uma cisão entre público e crítica. Contudo, há filmes brasileiros do gênero que funcionam, como Um Namorado para Minha Mulher e O Shaolin do Sertão. Por isso sempre tento conferir todas, pois vá que eu me surpreenda... Infelizmente não foi o caso aqui. Piadas previsíveis, roteiro fraco, atores no automático, direção nada inventiva, o outro filme do diretor, o Sob Pressão, tem problemas, mas é bem melhor que este. 

O mote é banal: golpes dentro de golpes e um penetrando na malandragem alheia. Essa premissa por si só poderia ser ok. Batida, mas ok... O resultado obtido em Os Penetras 2: Quem Dá Mais?, no entanto, é pífio. As transições entre os cenários são corridas e sem sentido. Muitas passagens estão ali só para preencher o tempo do filme (que é curto, menos de 1h20). Pense nas cenas do jantar, igreja ou hospício, todas elas só servem para uma piada - de qualidade questionável. Há a inserção de dois novos personagens centrais que tinham como intenção se distanciar do primeiro filme, mas no fundo só incham ainda mais a história e tornam os outros subutilizados. 



Marco (Marcelo Adnet) vira um fantasma, na realidade uma projeção da mente perturbada de Beto (Eduardo Sterblitch), e fica dando dicas para o amigo sobre o que fazer nas mais diversas situações. A dupla funciona bem, os atores têm química. Mas tal artifício some em boa parte da trama. Fazendo com que o fraco arco com o milionário russo Oleg (Mikhail Bronnikov) seja o centro. 

Sterblitch está muito exagerado, ele é obrigado a levar o filme nas costas e acaba apelando. Ainda assim, alguns pouco momentos que beiram o interesse partem dele. Detalhe para o olhar de maluco que ele faz muito bem. Adnet nem arranha os melhores momentos que já o vimos no Ta no Ar ou na MTV. As cenas dele dão resultado pelo companheiro. Mariana Ximenes (onipresente do ano passado pra cá) e Elena Sopova estão lá pra "seduzir" em personagens redundantes e rasas - e que não são sedutoras. Stepan Nercessian até tenta, mas o personagem parece deslocado. Danton Mello acrescenta pouco, apesar de estar no centro da trama, e perde o sentido da metade pro final. 



Eu fico realmente em dúvida sobre qual a pior parte do filme. A introdução é recheada das já mencionadas cenas inúteis. O desenvolvimento é ilógico - em filmes de humor o absurdo faz parte, aqui a trama é só mal cuidada mesmo. Já a resolução é corrida, preguiçosa e sem graça. Enfim, obra caça-níquel que tentará recuperar o sucesso de bilheteria do primeiro (mas na minha sala só tinha eu e mais uma pessoa...) e abre uma possibilidade cretina para um terceiro. Os Penetras: quem aguenta mais?

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Sete psicopatas e um Shih Tzu - Netflixing

Pegue a violência extrema como instrumento de sátira, a moda Tarantino. Misture com um estilo visual e escolha de cenários que lembram os irmãos Coen. Dose com pitadas de neurose Woddy Allen e surrealismo David Lynch. E temos a receita para Sete psicopatas e um Shih Tzu . Gênero:   Comédia Direção:  Martin McDonagh Roteiro:  Martin McDonagh Elenco:  Abbie Cornish, Amanda Mason Warren, Andrew Schlessinger, Ante Novakovic, Ben L. Mitchell, Bonny the ShihTzu, Brendan Sexton III, Christian Barillas, Christine Marzano, Christopher Gehrman, Christopher Walken, Colin Farrell, Frank Alvarez, Gabourey Sidibe, Harry Dean Stanton, Helena Mattsson, James Hébert, Jamie Noel, John Bishop, Johnny Bolton, Joseph Lyle Taylor, Kevin Corrigan, Kiran Deol, Linda Bright Clay, Lionel D. Carson, Long Nguyen, Lourdes Nadres, Michael Pitt, Michael Stuhlbarg, Olga Kurylenko, Patrick O'Connor, Richard Wharton, Ricky Titus, Ronnie Gene Blevins, Ryan Driscoll, Sam B. Lorn,...

NETFLIXING: CÓDIGO DE SILÊNCIO (BURNING SANDS, 2017) - CINEMA EM UM PARÁGRAFO

Código de Silêncio estreou no Festival de Sundance 2017 , na mostra competitiva de dramas estadunidenses. Na cobertura do Conexão Sundance , comentei o filme no vídeo do Dia 10 . O filme   trata do ingresso jovens calouros na universidade e sua jornada para ingressar em uma fraternidade. Nada muito original, a não ser pelo fato de que, neste filme, se trata de uma universidade negra.  Código de Silêncio  inclusive repete o tema - mas não a abordagem - de  O Trote (Goat),  que também concorreu no  Festival de Sundance 2016 .  Código de Silêncio,  entretanto, enfatiza os reflexo do racismo no comportamento da própria comunidade negra, além do machismo e do assédio sexual às universitárias - outro tema candente na sociedade estadunidense atual. O ponto forte do filme são as atuações, que são muito intensas e difíceis, considerando o grau de violência envolvido. O diretor e co-roteirista Gerard McMurray optou por uma jornada convencional: um g...

KONG: A ILHA DA CAVEIRA (KONG: SKULL ISLAND, 2017) - CRÍTICA

Kong: A Ilha da Caveira  funciona moderadamente como entretenimento, mas oscila demais no ritmo da narrativa.  Gênero:  Ação Direção:  Jordan Vogt-Roberts Roteiro:  Dan Gilroy, Derek Connolly, John Gatins, Max Borenstein Elenco:  Andre Pelzer, Brie Larson, Corey Hawkins, Emmy Agustin, Eugene Cordero, Jason Mitchell, Jason Speer, John C. Reilly, John Goodman, John Ortiz, Marc Evan Jackson, Nicole Hunt, Samuel L. Jackson, Scott M. Schewe, Sharon M. Bell, Shea Whigham, Thomas Mann, Tian Jing,, Toby Kebbell, Tom Hiddleston, Will Brittain Produção:  Jon Jashni, Mary Parent, Thomas Tull Fotografia:  Larry Fong Montador:  Christian Wagner, Richard Pearson Duração:  118 min. Ano:  2017 País:  Estados Unidos Cor:  Colorido Estreia:  09/03/2017 (Brasil) Distribuidora:  Warner Bros. Estúdio:  Legendary Pictures / Warner Bros. Classificação:  12 anos Sin...