Pular para o conteúdo principal

A TARTARUGA VERMELHA (La Tortue Rouge, 2016) - CRÍTICA

A Tartaruga Vermelha está indicado ao Oscar de Melhor Animação.



Gênero:
Animação
Direção: Michael Dudok de Wit
Roteiro: Michael Dudok de Wit, Pascale Ferran
Produção: Grégoire Sorlat, Pascal Caucheteux, Vincent Maraval
Montador: Céline Kélépikis
Trilha Sonora: Laurent Perez Del Mar
Duração: 80 min.
Ano: 2016
País: Bélgica / França / Japão
Cor: Colorido
Distribuidora: Sony Pictures
Estúdio: Studio Ghibli

Sinopse: Após sobreviver a um naufrágio, um homem é obrigado a viver numa ilha completamente deserta. Sobrevivendo por meio da pesca, ele tenta construir uma jangada que lhe permita deixar o local. O problema é que sempre que ele parte com a pequena embarcação, ela é destruída por um ser misterioso. Logo ele descobre que a causa é uma imensa tartaruga vermelha, com começa uma estranha amizade.

(Trailer conta TODA a história, tem portanto spoilers)

(

Nota do Razão de Aspecto:



-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

A Tartaruga Vermelha é lindo, metafórico e traz um diálogo com a natureza, algo caro ao estúdio Ghibli- produtor da obra. Contudo, há um problema basilar: A Tartaruga Vermelha DEVERIA ser um curta de 20 minutos. Sim, estou afirmando que 3/4 do filme sobram consideravelmente. Um dos indícios disso é que o trailer, em dois minutos, faz um resumo honesto do todo - trailer aliás que dá diversos spoilers, inclusive das cenas principais e finais.

Confira também o link com as nossas críticas sobre os indicados das outras categorias.


Com traços de Naufrago e A Lagoa Azul, acompanhamos nosso protagonista em uma ilha deserta, habitada apenas por pequenos bichos - que no geral se prestam a um alívio cômico. Ao tentar sair daquele ambiente ele se depara com uma tartaruga vermelha. Uma estranha e fantasiosa relação se desdobra. As reviravoltas a partir daí são notáveis, contudo clichês. 



Não há falas aqui, porém não confunda essa falta de voz dos personagens com ausência de som. A toada dietética, com sons naturais, e a não diegética - com uma trilha espetacular - integram um sutil e contundente arcabouço sonoro.

O desenho humano é intencionalmente quase rústico e com traços carregados. As paisagens têm um contorno mais elaborado e visualmente causam impacto. O que coaduna com a já citada valoração da natureza. O mar, a floresta, o céu e a praia compõem uma opera visual estonteante. 



As mensagens decorrentes das metáforas que o filme se propõe são reflexivas dão uma necessária segunda camada à Tartaruga Vermelha. Se encarado como uma trama rasa a experiência narrativa torna-se vã. As Memórias de Marnie, último longa do estúdio (e que também concorreu ao Oscar), tem uma primeira interpretação mais palatável, o que justifica a duração.

A Tartaruga Vermelha teria potencial para ser algo inesquecível. A decisão errada de possuir 80 minutos comprometeu gravemente a apreciação dos indiscutíveis méritos. A indicação dele e não de Procurando Dory é absurda. Já a vitória, pelo que os últimos prêmios indicam, deve ficar com Zootopia - com alguma chance para Kubo.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Sete psicopatas e um Shih Tzu - Netflixing

Pegue a violência extrema como instrumento de sátira, a moda Tarantino. Misture com um estilo visual e escolha de cenários que lembram os irmãos Coen. Dose com pitadas de neurose Woddy Allen e surrealismo David Lynch. E temos a receita para Sete psicopatas e um Shih Tzu . Gênero:   Comédia Direção:  Martin McDonagh Roteiro:  Martin McDonagh Elenco:  Abbie Cornish, Amanda Mason Warren, Andrew Schlessinger, Ante Novakovic, Ben L. Mitchell, Bonny the ShihTzu, Brendan Sexton III, Christian Barillas, Christine Marzano, Christopher Gehrman, Christopher Walken, Colin Farrell, Frank Alvarez, Gabourey Sidibe, Harry Dean Stanton, Helena Mattsson, James Hébert, Jamie Noel, John Bishop, Johnny Bolton, Joseph Lyle Taylor, Kevin Corrigan, Kiran Deol, Linda Bright Clay, Lionel D. Carson, Long Nguyen, Lourdes Nadres, Michael Pitt, Michael Stuhlbarg, Olga Kurylenko, Patrick O'Connor, Richard Wharton, Ricky Titus, Ronnie Gene Blevins, Ryan Driscoll, Sam B. Lorn,...

INTERESTELAR POR NANDO REIS

Interestelar é um filme que muita gente gosta (e o Nolan é o Caetano dos cineastas - mesmo quando erra o povo idolatra). Eu gostei do filme, mas com ressalvas, como pode ser visto aqui . Depois do filme - que eu achei meio brega -, nada me fazia esquecer o Nando Reis... Agora, para celebrar o Carnaval, resgato um enredo criado lá nos inícios da nossa página no Facebook .  Olha aí a Acadêmicos da Razão de Aspecto com o samba: "O esplendor interestelar do caubói bonzinho e o amor transcendente no céu de São Salvador", escrito por Nando Reis.  " O que está acontecendo? O mundo está ao contrário e ninguém reparou O que está acontecendo? Eu estava em paz quando você chegou.."   "Então me diga se você ainda gosta de mim porque de você eu gosto e isso não deve ser assim tão ruim.." " Amor dará e receberá Do ar, pulmão; da lágrima, sal Amor dará e receberá Da luz, visão do tempo espiral" "A letra A tem seu nome..."...

MONSTER TRUCKS (2016) - CINEMA EM UM PARÁGRAFO

Se Monster Trucks fosse lançado há 30 anos teria potencial de clássico da Sessão da Tarde. Para o bem ou para o mal é isso que vemos em tela. Temos uma aventura/fantasia onde um adolescente junto com um bicho salva o dia (não é spoiler, mas o caminho mais que óbvio nesse tipo de narrativa...). Para isso, ele conta com a ajuda da "namorada" bonita, do amigo nerd e tem que lutar contra uma grande corporação além de ter como mini antagonista um playboy da escola. A trilha heroica contribui para o ambiente, a montagem acelerada para o ritmo e o subtexto ambiental tenta passar uma mensagem. Já a criatura, feia e carismática, tenta voltar para casa (ET?). O uso dela em comunhão com o carro flerta com um quê de Transformers. Monster Trucks tem uma pegada infanto-juvenil, mas não gosto de subestimar esse público, por isso as conveniências e furos do roteiro pesam. Ainda assim é uma boa opção para aqueles que querem se entreter, ter um pouco de nostalgia e explicar para os filho...