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JOHN WICK: UM NOVO DIA PARA MATAR (2017) - CRÍTICA

John Wick: um novo dia para matar supera, de longe, o filme anterior...


Gênero: Ação
Direção: Chad Stahelski
Roteiro: Derek Kolstad
Elenco: Keanu Reeves, Bridget Moynahan, Common, Heidi Moneymaker, Ian McShane, John Leguizamo, Lance Reddick, Laurence Fishburne, Marko Caka, Marmee Cosico, Nancy Cejari, Peter Stormare, Riccardo Scamarcio, Ruby Rose, Thomas Sadoski, Tobias Segal, Toshiko Onizawa
Produção: Basil Iwanyk
Fotografia: Dan Laustsen
Montador: Evan Schiff
Trilha Sonora: Joel J. Richard, Tyler Bates
Ano: 2017
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Distribuidora: Paris Filmes
Estúdio: Lionsgate Films / PalmStar Media / Thunder Road Pictures
Classificação: 16 anos

Sinopse: O lendário John Wick é forçado a deixar a aposentadoria em função de um criminoso que conspira para tomar o controle de um clã de assassinos internacionais. Por causa de um pacto de sangue, John Wick viaja para Roma com o objetivo de ajudar um velho amigo a derrubar a organização internacional secreta, perigosa e mortal de assassinos procurados em todo o mundo.


Nota do Razão de Aspecto:


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Ao contrário de muitos, eu não era fã do longa estrelado pelo personagem John Wick (Keanu Reeves), pois via uma série  de problemas que tiravam a minha boa vontade com o todo. Mas isso me referindo ao longa de 2014, que no Brasil foi nomeado como De Volta ao Jogo, mais parecendo subtítulo de sequência genérica. Felizmente tudo mudou no nova aventura de John.

A galhofa agora está escrachada. Sem perder o tino básico para ação, a consciência do mito vai para níveis absurdos (nada como um xXx: Reativado, do Vin Diesel, obviamente) e brinca-se com isso o tempo inteiro. Destaque já para a sequência inicial. Ao contrário do filme anterior, aqui a capacidade semi-deusa do nosso sr. Wick é vendida explicitamente logo de cara. Portanto nós compramos a ideia pelo que estamos vendo e não só pelo que é falado. A lenda está ali, diante dos nossos olhos.




A motivação desta vez é uma promissória que precisa ser paga com serviços ilícitos. Deixa-se de lado a história de vingança pelo cachorro morto e pelo carro roubado (se bem que o carro não é esquecido...), mas uma nova motivação neste sentido é criada. A grande lição aqui é: se John Wick está te devendo algo é melhor não cobrar... 

Neste capítulo dois, vemos mais a organização da qual John tentara se aposentar e a ética e o respeito entre os membros.  Para além do Hotel Continental, um estabelecimento um tanto quanto exótico... Principalmente nos é mostrado o poder de influência daquele clã. Há uma sequência com profissionais de várias áreas que arranca gargalhadas. Toda a ação bebe naquela fonte e ganha ares elegantes. 



Por falar em ação (sei que muitos querem só tiro, porrada e bomba), a movimentação é mais fluida e coreograficamente exuberante. Ainda é presente o popular 50 contra contra um (sendo este um o mito John Wick e, claro, ele é capaz de dar cabo de todos), porém em alguns momentos tem o embate mano a mano, dando algum senso de realidade. O confronto entre os carros, por exemplo, é envolvente.

O elenco está engajado na proposta. Há uma participação especial do Laurence Fishburne reeditando a parceria com 
Keanu Reeves, que fez sucesso em Matrix. Reeves continua firme faz a pose badass quando necessário, ao mesmo tempo que tem um carisma charmoso. Os demais convencem, seja na fisicalidade das lutas ou no humor semi-pastelão. 



Na parte técnica, o destaque vai para o belo design de produção em ambientes variados e lustrosos ou sujos e cotidianos. A trilha e efeitos sonoros também estão competentes e acrescentam à narrativa, sem nunca querer atravessá-la. John Wick é bem filmado: possui enquadramentos precisos e uma iluminação condizente com os cenários - compare com o segundo arco de Resident Evil e veja a diferença.

Como pontuação negativa, vale a menção que a ação por vezes soa episódica e que a coisa demora para acontecer. Tem-se, portanto, alguma falta de coesão e uma certa barriga. Mas nada que amargue cenas fabulosas como a da sala dos espelho, no último ato. 

John Wick: um novo dia para matar tem potencial para ser um dos grandes filmes de ação do ano. Se continuarem a deixar inquieto o protagonista que só quer viver o luto pela morte da esposa, e isso continuar a gerar ótimos filmes, então quero ver John Wick 3,4,5....

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