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Lion: Uma Jornada Para Casa (Lion, 2016) - Crítica

Lion: Uma Jornada Para Casa foi indicado em 6 categorias do Oscar 2017, incluindo Melhor Filme.



Gênero: Drama
Direção: Garth Davis
Roteiro: Luke Davies
Elenco: Dev Patel, Rooney Mara, Nicole Kidman, Priyanka Bose
Produção: Angie Fielder, Iain Canning
Fotografia: Greig Fraser
Montador: Alexandre de Franceschi
Trilha Sonora: Dustin O'Halloran, Volker Bertelmann
Duração: 118 min.
Ano: 2016
País: Austrália, EUA, Reino Unido
Cor: Colorido
Estreia: 16/02/2017 (Brasil)
Distribuidora: Diamond Filmes
Estúdio: Aquarius Films / Screen Australia / See-Saw Films / Sunstar Entertainment
Classificação: 12 anos

Sinopse: Quando tinha apenas cinco anos, o indiano Saroo (Dev Patel) se perdeu do irmão numa estação de trem de Calcutá e enfrentou grandes desafios para sobreviver sozinho até de ser adotado por uma família australiana. Incapaz de superar o que aconteceu, aos 25 anos ele decide buscar uma forma de reencontrar sua família biológica.



Nota do Razão de Aspecto:


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Lion é baseado em fatos reais e isto tem que ser considerado em diversas instâncias. Não há dúvidas que o que ocorreu com Saroo é belo e é uma daquelas histórias tão incríveis que só podem ser verdade. Temos a jornada de um menino pobre  que se perde da família, na Índia,  passa por maus bocados, até ser adotado por um casal rico na Austrália - com o acréscimo de, depois de adulto, tentar reencontrar a família de sangue.

A produção, contudo, transforma aquela saga em algo episódico e que tenta arrancar lágrimas do público a fórceps. O longa almeja vender uma empatia exagerada pelo protagonista, seja nas atitudes morais de Saroo adulto, seja na comoção universal de uma criança perdida. Não há um porém, as transformações na vida adulta ocorrem, mas não são intrínsecas - quando criança, vemos nele uma atitude mais proativa. 



O arco percorrido, de dormir jogado em um papelão - e apanhar por isso - para o maravilhoso mundo tecnológico do Google Earth, é descompensado, tornando-o incrivelmente linear. Perde-se muito tempo em cenas redundantes, e, em um dado momento, pensei se tratar de uma propaganda anacrônica da empresa. A investigação não é engajante, soando automática e pasteurizada... 

Dev Patel deve ter muitos amigos na academia para ter descolado a indicação e a premiação no Bafta. Rooney Mara é um fiapo do que apresentou em Carol. Nicole Kidman está afetada e também angariou a indicação na amizade. Mas nem tudo é culpa dos atores, a cena final é de uma vergonha alheia no que tange à falta de direção. 

Confira também o link com as nossas críticas sobre os indicados das outras categorias

Em Lion, há basicamente dois atos: Saroo tentando sobreviver e Saroo tentando voltar pra casa. O modo como  a segunda parte se liga à anterior é realizado flashbacks piegas e convenientes - lembra um Procurando Dory sem o charme e apuro da Pixar. Tal fator é tão forte que Dev Patel sequer foi considerado o ator principal, pois, mesmo quando o foco está nele, o protagonismo é dividido com Sunny Pawar. Outro problema são as transições, empurradas com várias marcações temporais didáticas e, portanto, desnecessárias. Se eu vejo, em uma cena, uma criança chamada Saroo e, em outra um homem adulto com mesmo nome, acho que consigo supor sozinho que se passaram 20 anos... 


A montagem um pouco picotada dialoga com a confusão vivida pelo personagem. Ate aí, ok. Todavia, a repetição do recurso cansa e torna alguma viradas abruptas. Uma ferramenta que também mereceria um elogio, mas há um contraponto, é a de que vemos muitos planos abertos. Por um lado, trata-se de um signo visual para mostrar a pequenez do personagem diante de um mundo tão vasto; por outro, sinto que a finalidade é apenas jogar na nossa cara belas imagens da Índia e da Austrália, como que para preencher uma lacuna narrativa.

Na fan page Crônicas Cinéfilas, li uma comparação com Pequeno Segredo - infelizmente, acho bem justa. Temos até o uso de borboletas para dar um ar pseudolúdico. Outra semelhança é na trilha sonora: chorosa, constante e invasiva... E, como eles disseram na pégina: não é que a produção de Pequeno Segredo estava certa e tínhamos ali um Oscar bait...








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