Pular para o conteúdo principal

HOMENS, MULHERES E FILHOS



Gênero: Drama
Direção: Jason Reitman
Roteiro: Chad Kultgen, Erin Cressida Wilson, Jason Reitman
Elenco: Adam Sandler, Ansel Elgort, Candace Lantz, Christina Burdette, Cody Boling, Colby Arps, Craig Nigh, Dan Gozhansky, David Denman, David Jahn, Dean Norris, Dennis Haysbert, Elena Kampouris, Emma Thompson, Helen Estabrook, Irene White, J.K. Simmons, Jake McDermott, Jaren Lewison, Jason Douglas, Jeff Witzke, Jennifer Garner, Jillian Nicole Jackson, Jon Michael Davis, Judy Greer, Kaitlyn Dever, Kaleb King, Karen Smith, Katherine C. Hughes, Kathrine Herzer, Kelly O'Malley, Luci Christian, Olivia Crocicchia, Phil LaMarr, Richard Dillard, Rosemarie DeWitt, Shane Lynch, Timothée Chalamet, Tina Parker, Tori Black, Travis Tope, Will Peltz
Produção: Helen Estabrook, Jason Reitman
Fotografia: Eric Steelberg
Montador: Dana E. Glauberman
Duração: 119 min.
Ano: 2014
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Estreia: 04/12/2014 (Brasil)
Distribuidora: Paramount Pictures
Estúdio: Paramount Pictures / Right of Way Films
Classificação: 16 anos

Sinopse: O filme conta a história de um grupo de adolescentes e de seus pais, que tentam lidar com as mudanças causadas pelo avanço da internet.O  longa retrata questões sociais, como a cultura dos videogames, anorexia, infidelidade, busca da fama e proliferação de conteúdo ilícito na internet.





Nota do razão de Aspecto:



--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


Um casal em crise que busca a saída no adultério. Um adolescente viciado em pornografia na internet que não consegue ter ereção com mulheres reais. Uma adolescente anoréxica cujos pais ignoram o problema. Um quarterback que decide abandonar o esporte contra a vontade do pai, porque não vê sentido naquilo. Uma adolescente deslocada, totalmente vigiada pela mãe na vida real e na internet.  Um jovem estudante que sonha em se tornar celebridade, mas que vende fotos sensuais na internet, fotografadas pela própria mãe. Todos esses personagens  em busca de redenção.

Embora o excesso de personagens possa parecer, à primeira vista, um fator complicador no desenvolvimento da narrativa, trata-se apenas de uma possibilidade não concretizada. O roteiro de Homens, Mulheres e Filhos não deixa pontas soltas. Tanto os dramas individuais quando a relação entre os personagens são bem construídos, de forma a permitir que o público crie empatia e se importe com o destino daquelas pessoas - requisito fundamental para que qualquer história eficiente.

Homens, Mulheres e Filhos nos provoca questionamentos  sobre as relações humanas, do ponto de vista temático, e sobre a sua estrutura, do ponto de vista cinematográfico. Trata-se de um filme que permanece em nossas mentes muitos dias após o encerramento da sessão. Não se pode afirmar que essa força da obra seja surpreendente, considerando os trabalhos anteriores do diretor Jason Reitman - Obrigado por Fumar, Juno e Amor sem Escalas -, todos eles muito intrigantes e provocativos, em diferentes níveis.

Após algum tempo "digerindo" as sensações provocadas pelo filme, percebi que se pode estabelecer comparação bastante eficiente entre Homens, Mulheres e Filhos e Magnolia, (que, não por acaso, é um dos três filmes mais importantes da minha vida). Em Magnolia, há um narrador que introduz o debate sobre a coincidência e fatalidades da vida, em Homens, Mulheres e Filhos, há a narradora que nos introduz a discussão sobre a insignificância da humanidade no Universo. No primeiro, vemos diversos exemplos de coincidências bizarras; no segundo, aprendemos os conceitos de Carl Sagan, por meio do vídeo do Youtube O Pálido Ponto Azul. No longa de Paul Thomas Anderson, todos os personagens e todas as suas histórias se cruzam em algum momento, vinculadas à Avenida que dá nome ao filme. No filme de Jason Reitman, os dramas dos personagens vinculam-se, em algum momento, por meio da escola frequentada pelos filhos. Em ambos os filmes, famílias destruídas e personagens perturbados buscam a redenção para os próprios problemas. 

Felizmente, nem tudo são semelhanças entre os dois filmes, e é nas diferenças que reside a superioridade de um sobre o outro. Magnolia é uma narrativa mais densa, com ênfase em dramas de pessoas já amadurecidas- com exceção do drama de infância- que, de alguma forma, querem compensar seus crimes e pecados, enquanto Homens, Mulheres de Filhos se concentra em dramas da juventude, com o suporte dos dilemas dos pais - colaterais, porém fundamentais para a sustentação da narrativa. Enquanto o filme de Paul Thomas Anderson precisa ser sentido e decifrado, em decorrência do conjunto de referências e pistas espalhadas ao longo da história (confira aqui a crítica de Pablo Villaça), Jason Reitman desenvolve a trama de forma a não dificultar a compreensão do espectador em relação àquilo que vê. Se, em Magnolia, os pontos altos são as atuações de Tom Cruise e Juliane Moore, em Homens Mulheres e Filhos, os personagens de maior peso são interpretados por Adam Samdler, como pai viciado em pornografia na internet, e Jennifer Garner, como a mãe superprotetora. Esta comparação por si só já demonstra a grande diferença entre os filmes. Muito embora Adam Samdler se tenha saído bem no papel dramático e Jenifer Garner não tenha comprometido, não se pode comparar com as atuações inesquecíveis de Tom Cruise e Juliane Moore em Magnolia.

Pode-se considerar que o grande mérito de Homens, Mulheres e Filhos é contemporaneidade dos questionamentos que se propõe a fazer. Quais são os efeitos da internet nas relações entre pais e filhos? Como a internet afeta a vida sexual de um adulto? Como a internet cria as oportunidades para o adultério? As pessoas conseguem se relacionar sem usar um smartphone? Quanto internet potencializa as possibilidades das relações  entre as pessoas? Nem todas essas perguntas são respondidas, mas este não é o objetivo do filme. Somos obrigados a refletir sobre essas questões, porque é impossível que não nos identifiquemos em algum nível com nenhum daqueles personagens - e este resultado é suficiente para transformar este filme em uma obra memorável, que, em alguns anos, poderá tornar-se referência de uma época de transformação acelerada das relações humanas.





Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Sete psicopatas e um Shih Tzu - Netflixing

Pegue a violência extrema como instrumento de sátira, a moda Tarantino. Misture com um estilo visual e escolha de cenários que lembram os irmãos Coen. Dose com pitadas de neurose Woddy Allen e surrealismo David Lynch. E temos a receita para Sete psicopatas e um Shih Tzu . Gênero:   Comédia Direção:  Martin McDonagh Roteiro:  Martin McDonagh Elenco:  Abbie Cornish, Amanda Mason Warren, Andrew Schlessinger, Ante Novakovic, Ben L. Mitchell, Bonny the ShihTzu, Brendan Sexton III, Christian Barillas, Christine Marzano, Christopher Gehrman, Christopher Walken, Colin Farrell, Frank Alvarez, Gabourey Sidibe, Harry Dean Stanton, Helena Mattsson, James Hébert, Jamie Noel, John Bishop, Johnny Bolton, Joseph Lyle Taylor, Kevin Corrigan, Kiran Deol, Linda Bright Clay, Lionel D. Carson, Long Nguyen, Lourdes Nadres, Michael Pitt, Michael Stuhlbarg, Olga Kurylenko, Patrick O'Connor, Richard Wharton, Ricky Titus, Ronnie Gene Blevins, Ryan Driscoll, Sam B. Lorn,...

INTERESTELAR POR NANDO REIS

Interestelar é um filme que muita gente gosta (e o Nolan é o Caetano dos cineastas - mesmo quando erra o povo idolatra). Eu gostei do filme, mas com ressalvas, como pode ser visto aqui . Depois do filme - que eu achei meio brega -, nada me fazia esquecer o Nando Reis... Agora, para celebrar o Carnaval, resgato um enredo criado lá nos inícios da nossa página no Facebook .  Olha aí a Acadêmicos da Razão de Aspecto com o samba: "O esplendor interestelar do caubói bonzinho e o amor transcendente no céu de São Salvador", escrito por Nando Reis.  " O que está acontecendo? O mundo está ao contrário e ninguém reparou O que está acontecendo? Eu estava em paz quando você chegou.."   "Então me diga se você ainda gosta de mim porque de você eu gosto e isso não deve ser assim tão ruim.." " Amor dará e receberá Do ar, pulmão; da lágrima, sal Amor dará e receberá Da luz, visão do tempo espiral" "A letra A tem seu nome..."...

MONSTER TRUCKS (2016) - CINEMA EM UM PARÁGRAFO

Se Monster Trucks fosse lançado há 30 anos teria potencial de clássico da Sessão da Tarde. Para o bem ou para o mal é isso que vemos em tela. Temos uma aventura/fantasia onde um adolescente junto com um bicho salva o dia (não é spoiler, mas o caminho mais que óbvio nesse tipo de narrativa...). Para isso, ele conta com a ajuda da "namorada" bonita, do amigo nerd e tem que lutar contra uma grande corporação além de ter como mini antagonista um playboy da escola. A trilha heroica contribui para o ambiente, a montagem acelerada para o ritmo e o subtexto ambiental tenta passar uma mensagem. Já a criatura, feia e carismática, tenta voltar para casa (ET?). O uso dela em comunhão com o carro flerta com um quê de Transformers. Monster Trucks tem uma pegada infanto-juvenil, mas não gosto de subestimar esse público, por isso as conveniências e furos do roteiro pesam. Ainda assim é uma boa opção para aqueles que querem se entreter, ter um pouco de nostalgia e explicar para os filho...